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Eleições municipais francesas clarificam presidenciais, mas apenas à direita

Eleições municipais francesas clarificam presidenciais, mas apenas à direita

Num contexto em que, a acreditar nas declarações da noite da segunda volta das eleições municipais, todos os partidos saíram vencedores, os franceses podem contar agora com uma inesperada clarificação de uma parte daquilo que será o combate a que a Europa vai assistir empolgada em 2027: as eleições presidenciais francesas. De facto, se à esquerda as municipais serviram para baralhar ainda mais os dados políticos, à direita, os resultados separaram ‘as águas’ e deixam um lugar reduzido para surpresas.
Assim, na extrema-direita, a ‘semi-vitória’ do Rassemblement National – que não ganhou nenhuma grande cidade, mas atingiu uma hegemonia territorial que ainda não tinha – colocou o líder do partido, Jordan Bardella, na posição de candidato inquestionável. Isto, claro, se Marine Le Pen não conseguir uma nova vida política e a Justiça mantiver o impedimento em que a ‘mãe’ do partido concorra.
Na direita tradicional, o nome de Éric Ciotti, que ganhou as eleições em Nice, cimenta uma posição que, em termos de candidatura às presidenciais, ainda não está fechada. O antigo líder do Les Republicains – expulso do partido em 2024 ao propor uma aliança com Marine Le Pen – surge, depois dessa vitória difícil na quinta maior cidade de França, como uma excelente alternativa para o bloco político que se situa entre a extrema-direita e o centro ‘macronista’.
Mas Ciotti já disse que não será candidato – pode sempre voltar atrás – o que deixa o lugar em aberto para Bruno Retailleau, presidente do grupo Les Republicains no Senado durante muitos anos e ministro do Interior em 2024‑2025. Retailleau já disse que se candidataria às presidenciais – tendo optado por não se ‘queimar’ nas municipais.
Ora, ao centro – que está a desaparecer muito rapidamente à medida que Emmanuel Macron se aproxima do fim do seu último mandato como presidente – já há um candidato, num contexto em que a concorrência prometia ser feroz. No rescaldo das eleições municipais, a concorrência diminuiu muito e Édouard Philippe – o primeiro primeiro-ministro de Macron – que venceu em Le Havre, cimentou as suas aspirações à corrida presidencial. Aquele que podia ser um seu direto adversário, François Bayrou, outro ex-primeiro-ministro, tentou voltar a eleger-se presidente da câmara de Pau (que perdera em 2020), mas não conseguiu. Ou muito se enganam os analistas, ou a vida política de Bayrou chegou ao seu termo.
 
Confusão à esquerda
À esquerda, as municipais produziram exatamente o contrário: os socialistas mantiveram o poder nas principais cidades francesas, não perderam clamorosamente no resto do país, mas o certo é que ainda não conseguiram isolar algum nome que possa passar a ser indicado como o provável candidato do partido às presidenciais de 2027. A instabilidade é de tal ordem, que alguns meios noticiosos chegaram a colocar a hipótese do regresso de François Hollande. O que, aparentemente, seria uma extravagância: Hollande foi eleito presidente em 2012 (vencendo Nicolas Sarkozy) mas a sua prestação foi tão contestada pelos franceses que o socialista se furtou a uma segunda candidatura. Subtraiu-se assim a passar pelo suplício de Valéry Giscard d’Estaing, que ganhou as presidenciais de 1974 e perdeu as de 1981, tendo sempre o mesmo adversário: François Mitterrand.
Na extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon não foi atirado para a irrelevância pelas eleições municipais – ao contrário de vários vaticínios – o que o coloca mais uma vez numa posição favorável para concorrer ainda uma vez às presidenciais. Vale a pena recordar que Mélenchon ficou a apenas algumas décimas de conseguir passar à segunda volta nas eleições de 2022, quando conseguiu 21,95%, contra os 23,15% de Marine Le Pen e 27,84% do vitorioso Emmanuel Macron.

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