Expectativas de inflação dos consumidores europeus recuam em junho com descida do petróleo
As expectativas dos consumidores europeus para a inflação recuaram em junho, em linha com a descida dos preços da energia nos mercados internacionais e a aparente estabilização da situação no Médio Oriente – estabilização essa entretanto abalada pelo ressurgir do conflito.
As expectativas a 12 meses caíram de 3,5% em maio para 3%, um recuo assinalável e consistente com a normalização da cotação internacional do petróleo após o memorando de entendimento entre norte-americanos e iranianos. A três anos, os consumidores europeus antecipam agora 2,8%, 0,1 pontos percentuais (pp) abaixo dos 2,9% estimados em maio.
Para a inflação daqui a 5 anos, a expectativa manteve-se estável em 2,4%.
Com o BCE a definir como objetivo para o indicador de preços leituras de 2% no médio-prazo, as projeções das famílias permanecem claramente acima deste nível, criando um desafio adicional para a autoridade monetária europeia.
A Pantheon destaca que “estas projeções se mantêm relativamente hawkish em relação a outros indicadores prospetivos baseados em inquéritos e sinalizam riscos claros que as expectativas de inflação possam estar a ficar desancoradas do objetivo de 2%”, podendo contribuir para inclinar o BCE a agir de forma mais decisiva para evitar efeitos de segunda ordem.
O risco de inflação decorrente das expectativas elevadas dos consumidores foi, de resto, tema da conferência de imprensa de Christine Lagarde, presidente do BCE, na quinta-feira, mas a banqueira rejeitou que os dados conhecidos até então sugerissem efeitos de segunda ordem.
Por outro lado, a subida recente da cotação do petróleo deverá empurrar novamente este índice para cima em julho, antecipa a nota do think-tank britânico.
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