BPI antevê pausa em abril e aperto em junho na estratégia do BCE para travar a inflação da Zona Euro
O BPI publicou o relatório de Research datado desta sexta-feira dia 24 de abril, onde defende que o Banco Central Europeu (BCE) deverá manter as taxas de juro inalteradas na reunião de 30 de abril, com a taxa de depósito a fixar-se nos 2,00%. Mas é esperada uma sinalização clara de que os aumentos serão retomados de forma gradual a partir de junho, caso as tensões no Médio Oriente continuem a pressionar os preços da energia.
Atualmente, os mercados já antecipam com quase total certeza uma subida para 2,25% em junho, projetando-se que as taxas possam atingir os 2,50% até ao final do ano para travar as pressões inflacionistas.
Este cenário de aperto monetário é impulsionado pelo choque energético decorrente do conflito no Médio Oriente, que elevou as expectativas de inflação na Zona Euro para 2,6% em 2026, aproximando-se da barreira dos 3%. Embora este aumento seja visto como temporário, existe uma incerteza considerável sobre a sua duração; quanto mais tempo o conflito persistir, maior é o risco de a inflação contagiar outros setores da economia e tornar-se persistente até 2027.
“Esperamos que o BCE mantenha as taxas de juro (depo em 2,00%), mas que sinalize intenção de as aumentar gradualmente a partir de junho caso não haja uma resolução rápida para o conflito no Médio Oriente, acompanhada por uma rápida descida nos preços da energia e de outros inputs afetados”, referem os analistas.
O aumento do preço da energia decorrente do conflito no Médio Oriente reforçou as expectativas de uma subida substancial da inflação, sendo 3% a meta para a Zona Euro em 2026. “Por ora, o aumento é considerado temporário, esperando-se que a inflação volte a atingir cerca de 2% em 2027”, refere o BPI que diz que os mercados atribuem apenas 10% de probabilidade a uma subida da taxa de juro em abril, mas já descontam uma depo em 2,25% com 90% de probabilidade para junho.
No que toca à atividade económica, a Zona Euro apresenta um crescimento modesto e indicadores de confiança em queda, com a previsão do PIB para 2026 a ser revista em baixa para 0,9%. Apesar deste abrandamento e do declínio na confiança dos consumidores, o mercado de trabalho permanece sólido, com o desemprego nos 6,2%, e as famílias mantêm taxas de poupança saudáveis que ajudam a mitigar o impacto da subida dos preços.
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