CFP recomenda prudência ao Governo na previsão de crescimento para 2026
O Conselho de Finanças Públicas (CFP) aconselha a maior prudência nas previsões de crescimento do Governo, sobretudo dado o panorama internacional e a tensão no Médio Oriente, embora considerando a projeção de 2% para este ano “provável”. Em específico, a instituição aponta para o investimento e exportações como focos de possível fraqueza da economia nacional este ano.
No ‘Parecer relativo ao Relatório Anual de Progresso 2026’ publicado esta segunda-feira, o CFP começa por considerar o crescimento previsto de 2% para este ano plausível, mas destacam os “riscos predominantemente descendentes” sobre este cenário, recomendando, portanto, “um grau acrescido de prudência”.
Em concreto, o organismo destaca “o cenário de crescimento apresentado é superior às projeções mais recentes apresentadas por outras instituições e que está alicerçado numa expetativa de crescimento do investimento público superior a 50%, o que se afigura de difícil concretização” neste ambiente de incerteza geopolítica.
Comparando com as instituições internacionais de referência, os 2% projetados pelo Governo ficam acima da média de 1,8% e de todas as revisões pontuais destas organizações, com o FMI no limite superior de 1,9%. No que respeita ao investimento, o Ministério das Finanças antecipa uma evolução de 5,6%, ou seja, bastante acima dos 4,1% de média das instituições de referência.
Além disso, o Governo antecipa também um aumento da inflação para 2,5%, ou seja, “inferior ao antecipado nas projeções mais recentes apresentadas por outras instituições de referência, uma expetativa que não se encontra enquadrada no intervalo de maior probabilidade quando considerados os erros de previsão passados”.
Em específico, a questão energética afigura-se a principal interrogação. Para o CFP, a projeção do Ministério das Finanças arrisca “subestimar os efeitos de contágio de aumentos dos preços dos bens energéticos a outras componentes do cabaz de consumo das famílias”, o que, na prática, resultaria num impacto negativo à economia real mais profundo do que atualmente se espera.
“As projeções do MF para a inflação nos preços do consumidor (IHPC) e para o deflator do PIB, ambas de 2,5%, são inferiores às médias das instituições consideradas (2,9% e 3%, respetivamente), posicionando‑se, em ambos os casos, no limite inferior do intervalo de confiança a 60%. No caso particular do IHPC, e tendo em conta as hipóteses externas apresentadas, considera-se que existe elevada probabilidade de uma evolução superior à apresentada”, lê-se no documento.
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