Ainda os rankings de Universidades
Recentemente, li na rede TV BRICS, um artigo sobre os Rankings de Universidades, referenciando questões de relevo:
Para que servem?
Como são criados e que entidades os elaboram?
Que metodologias usam, critérios e enviesamento dos resultados?
Será possível confiar “plenamente” nesses Rankings?
Quem acompanha de perto, todos os anos, os Rankings de Universidades?
Um mundo de questões, nada fáceis. Mas outras mais, técnicas ou de índole global, poderiam ser elencadas, a partir da leitura do artigo.
Antes de esboçar algumas respostas seguindo de perto a informação e o teor do artigo, surgiu-me a ideia de, posteriormente, abordar a história da TV BRICS. Ouvimos tão pouco falar da sua existência, nos meios de comunicação do Ocidente e, muito, nos do Sul Global, apesar da TV BRICS ser parceira oficial da ONU e, já ter uma presença substantiva no mundo dos Media, ao atingir mais de 1,5 mil milhões de pessoas por mês, em cerca de 80 países.
As razões de poucas referências, no Ocidente, acerca deste meio de comunicação social, são bem conhecidas e dariam, certamente, matéria para muitos e variados artigos. Informação não “conveniente”, ou mesmo quando neutra, é assunto que não interessa ao Ocidente e, por isso, torna-se um tema pouco falado, quando não pior, distorcido, o que quer dizer, manipulado.
Rankings, produto recente
Os Rankings de Universidades são produto recente. O primeiro surgiu, em 2003, por uma necessidade real da China. Ao pretender preparar/elevar as suas Universidades para um nível global superior (nacional e internacionalmente), a China deparou-se com a inexistência de uma ferramenta de medida de comparação das suas universidades no Mundo. Essa ferramenta consistiu na construção de um Ranking, hoje bastante aceite e conhecido no meio académico mundial por Ranking de Xangai. Porquê? Precisamente, foi a Universidade Jiao Tong de Xangai que o elaborou.
Entretanto, foram surgindo outros, cada um com as suas finalidades próprias.
O que ressalta desta dinâmica é que os Rankings se transformaram numa ferramenta de tomada de decisões. Como diz o artigo “ajudam candidatos e estudantes a fazer escolhas ao mostrar a posição de uma universidade em relação às demais”. Por outro, servem de referência das próprias instituições, ao produzirem informações valiosas sobre o “seu status” e também despertam interesse entre investigadores e especialistas em educação, pois a sua própria análise se transforma, ela própria, em elemento de trabalho e de reflexão do sistema na sua globalidade.
Hoje, os rankings já extravasaram as portas das Universidades, sendo frequentemente usados na definição de estratégias dos sistemas de educação dos países e influenciam empresas importantes e grupos económicos, sobretudo, no tocante ao recrutamento dos seus quadros técnicos.
“Entre os rankings mais reconhecidos e respeitados estão o QS World University Rankings, o Times Higher Education World University Rankings (THE) e o Academic Ranking of World Universities (ARWU). Essas classificações são consideradas de referência por sua cobertura global, metodologias consistentes e ampla variedade de indicadores. Além disso, são amplamente utilizadas por governos, instituições e estudantes em todo o mundo”, afirmou Raymond Matlala, especialista em negócios, educação e Sul Global, além de fundador e presidente da Associação Sul-Africana da Juventude dos BRICS, em entrevista à TV BRICS.
A leitura dos rankings – Complexidade
Segundo a TV BRICS, os Rankings de Universidades são uma espécie de “tabela de classificação”.
No entanto, prestígio não corresponde a uma aceitação acrítica. Aliás, numerosos especialistas recomendam que, antes de comparar essas classificações, deve haver uma análise cuidada dos critérios de avaliação e da sua ponderação.
A experiência diz-nos, porém, que há uma aceitação quase “cega” das tabelas de classificações destes Rankings, em todo o mundo, secundarizando, deste modo, os alertas dos especialistas. E, descendo à terra, será que há capacidade e tempo em cada um de nós (mesmo os mais interessados!) para ter em conta esse alerta?!
Os especialistas, também, nos dizem que os critérios de avaliação estão, em constante evolução, seguindo um pouco o sabor/moda dos tempos. Nos últimos anos, tem-se dado maior atenção ao desenvolvimento sustentável e à responsabilidade ambiental, temas na ordem do dia, mais que não seja, em teoria. O nível de digitalização da educação e até o equilíbrio de género na Academia estão, também, a assumir uma importância cada vez mais relevante.
Tipos de rankings universitários
“O foco, as características e até o público-alvo de um ranking dependem dos critérios e das metodologias de avaliação que ele adota”. Por exemplo, rankings como o QS World University Rankings atribuem grande peso à reputação dos empregadores. Já o Times Higher Education (THE) tem um enfoque maior na agenda de pesquisa, O Ranking de Xangai (ARWU), por sua vez, não utiliza pesquisas, baseia-se exclusivamente em indicadores mensuráveis, como publicações nas revistas Nature e Science e o número de investigadores referenciados. “Segundo especialistas, essa abordagem oferece a avaliação mais rigorosa e transparente da força de pesquisa de uma universidade”.
Em resumo, dispor de instrumentos como estes Rankings são, sem dúvida, de grande utilidade, mas tem de haver o cuidado de os relativizar, até porque cada vez mais a concorrência e o marketing de “venda” do produto final tendem a enviesar, aqui e ali, a comparabilidade, com algum exagero.
Como relativizar os rankings?
Muitos especialistas sugerem que, em comparações mais aprofundadas, consoante a sua finalidade, se recorra a indicadores complementares de comparação, como os curricula dos cursos, a competência dos orientadores e professores e investigadores ou quaisquer outros meios disponíveis.
Hoje em dia, há facilidade em ir além dos Rankings, pois as redes sociais, apesar das suas limitações, dão acesso a muita informação.
Quanto ao acesso aos resultados, todos os anos, estudantes, investigadores, especialistas em educação e cultura, gestores das grandes empresas e grupos económicos, sobretudo, os mais ligados à gestão de quadros técnicos, políticos, também os mais ligados a instituições de ensino superior, assistem com atenção aos resultados que os principais Rankings globais publicam, pois constituem para todos uma excelente base de informação e trabalho.
Universidades portuguesas
Uma nota final, breve e muito preliminar, sobre a sua inserção nos Rankings Mundiais (2025/2026), na base da IA.
Ranking de Xangai (produção científica e prémios): Universidades de Lisboa e Porto lideram nacionalmente, posicionadas entre as 300 melhores do mundo e cinco outras entre as 1000 melhores.
Ranking QS (reputação académica e credibilidade): UL (230.ª), UP (237.ª), UN (327ª), UC (347ª), estão entre as 200 e 350 melhores do mundo. Há a destacar, nesta edição, outras cinco Universidades, situando-se quatro entre as 1000 melhores.
Ranking THE (ensino, investigação e projecção internacional): UL (301-350), UP (351-400), UN (401-500), UC 501-600). A UCP aparece também frequentemente classificada num intervalo mais alargado 301-400.
Portugal tem, assim, uma presença significativa das suas Universidades, nos principais Rankings académicos mundiais, com tendências de melhoria de posicionamento, nestes últimos anos.
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