Empréstimos às famílias ultrapassam 4 mil milhões pela primeira vez e juros dos depósitos sobem em março
O Banco de Portugal divulgou esta quarta-feira a nota de informação estatística relativa a março de 2026, sobre taxas de juro e novos empréstimos e depósitos, e o mês foi marcado pela subida da remuneração dos depósitos a prazo das famílias e por um novo máximo histórico no crédito aos particulares.
Entre os principais destaques, a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo de particulares voltou a subir pelo segundo mês consecutivo, fixando-se em 1,42%, mais 0,06 pontos percentuais do que em fevereiro. Em paralelo, o montante aplicado nestes depósitos registou um forte crescimento, atingindo 13.110 milhões de euros — o segundo valor mais elevado da série histórica.
Já no crédito, março ficou marcado por um recorde, já que o montante de novas operações de empréstimos a particulares ultrapassou, pela primeira vez, os 4 mil milhões de euros, totalizando 4.057 milhões. Este aumento reflete tanto novos contratos como renegociações.
Depósitos crescem e continuam concentrados no curto prazo
Os depósitos a prazo até um ano mantiveram-se dominantes, representando 97% dos novos depósitos bancários de particulares, com uma taxa de juro média também de 1,42%. Apesar da subida, Portugal continua entre os países com remuneração mais baixa na área do euro, ocupando a quinta posição mais baixa.
No segmento empresarial, a taxa de juro média dos depósitos também subiu, para 1,79%, mais 0,10 pontos percentuais do que em fevereiro, enquanto o montante total aplicado cresceu significativamente para 11.514 milhões de euros. Tal como nos particulares, quase a totalidade destes depósitos (99,6%) tem maturidade até um ano.
Crédito à habitação bate recordes e regista ligeira descida nos juros
No crédito à habitação, a taxa de juro média dos novos contratos recuou ligeiramente para 2,81%, menos 0,02 pontos percentuais do que no mês anterior. Também os contratos renegociados registaram uma descida, desta vez mais acentuada, fixando-se em 2,75%.
Ainda assim, a prestação média mensal dos empréstimos à habitação continuou a aumentar pelo sétimo mês consecutivo, atingindo os 424 euros.
Os empréstimos para compra de casa representaram a maior fatia do crédito concedido a particulares, com 2.238 milhões de euros, seguindo-se o crédito ao consumo (734 milhões) e outros fins (333 milhões) — todos em máximos históricos.
A maioria dos novos empréstimos à habitação (81%) foi contratada com taxa mista, combinando um período inicial de taxa fixa com posterior indexação variável. A taxa média nestes contratos manteve-se estável em 2,71%.
Já os empréstimos a taxa fixa registaram uma subida para 3,75%, enquanto as taxas variáveis recuaram ligeiramente para 2,79%.
No contexto da área do euro, Portugal continua a apresentar taxas relativamente competitivas no crédito à habitação, com a quarta taxa mais baixa entre os países da moeda única. No entanto, no crédito ao consumo, mantém-se entre os países com taxas mais elevadas.
A taxa de juro média dos novos contratos de crédito à habitação desceu para 2,81%, menos 0,02 pontos percentuais do que em fevereiro. Já no crédito ao consumo, a taxa média recuou para 8,77%, uma queda de 0,24 pontos percentuais. Nas renegociações de crédito à habitação, a taxa média baixou para 2,75%, detalha o banco central.
No financiamento às empresas, verificou-se uma redução generalizada das taxas de juro. A taxa média dos novos empréstimos caiu para 3,53%, menos 0,18 pontos percentuais face a fevereiro.
O montante total de crédito concedido às empresas subiu para 3.641 milhões de euros, impulsionado sobretudo pelos novos contratos. Cerca de 23% destes financiamentos foram concedidos no âmbito de programas com garantia pública.
Os dados agora divulgados confirmam uma tendência de crescimento do crédito, especialmente no segmento dos particulares, ao mesmo tempo que os depósitos continuam a ganhar atratividade, ainda que com remunerações inferiores à média europeia.
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