Empréstimos a empresas com garantia pública ascenderam a 3,4 mil milhões de euros em 2025
Em 2025, os novos empréstimos a empresas totalizaram 26,6 mil milhões de euros — o valor mais elevado desde 2015 —, com os contratos com garantia pública a contribuírem com 3,4 mil milhões de euros, mais 2,8 mil milhões do que em 2024.
O Banco de Portugal publicou hoje uma análise sobre o impacto dos empréstimos com garantia pública nas estatísticas de novas operações de crédito às empresas, com base em informação adicional obtida a partir da Central de Responsabilidades de Crédito. A análise revela que, em 2025, estes programas ganharam expressão crescente no financiamento bancário a empresas, com reflexo direto nos volumes e nas condições praticadas.
Segundo o banco central, em 2025, os empréstimos com garantia pública ganharam relevância no financiamento às empresas, num contexto de reforço dos programas disponíveis. Este aumento refletiu-se nas estatísticas de novas operações de empréstimos e foi particularmente visível a partir de maio.
“Estes programas visam facilitar o acesso ao crédito. Ao cobrirem parte do risco assumido pelos bancos, podem propiciar condições de financiamento mais favoráveis. Em Portugal, o Banco Português de Fomento (BPF) e o Grupo Banco Europeu de Investimento (BEI) gerem programas desta natureza, que são disponibilizados através dos bancos comerciais. Em março de 2025, o Banco Português de Fomento lançou um mecanismo de pré-aprovação das garantias públicas, com o objetivo de simplificar e acelerar o acesso a este tipo de financiamento”, lê-se na nota do banco central.
O reforço dos programas, geridos pelo Banco Português de Fomento (BPF) e pelo Grupo Banco Europeu de Investimento (BEI) e disponibilizados através dos bancos comerciais, foi assim determinante para esta evolução.
Em março de 2025, o BPF lançou um mecanismo de pré-aprovação das garantias, acelerando o acesso ao financiamento e a partir de maio, foram alargados os orçamentos de programas existentes e criados instrumentos direcionados para o investimento, a exportação, a digitalização e a descarbonização.
Recorde-se que em fevereiro de 2026, foram criados programas específicos para apoiar a reconstrução na sequência da tempestade Kristin, que afetou zonas específicas do país.
Taxa de juro média do crédito a empresas com garantia pública fixou-se em 2,95%
Entre março de 2025 e março de 2026, a taxa de juro média dos novos empréstimos com garantia pública fixou-se em 2,95%, ou seja, 0,84 pontos percentuais abaixo da observada nos contratos sem garantia. Esta diferença verificou-se em todos os setores de atividade, sendo mais acentuada no comércio, transportes, alojamento e restauração (−0,92 pp). A taxa variável predominou, representando 99% dos contratos com garantia pública, face a 75% nos contratos sem garantia.
O montante e o prazo dos contratos também diferiram entre os dois tipos de financiamento, revela o Banco de Portugal.
Entre março de 2025 e março de 2026, o montante de empréstimos com garantia pública concentrou-se sobretudo no escalão entre 250 mil e 1 milhão de euros (43,0% do total). Os contratos até 250 mil euros representaram 75,5% do número de contratos e 28,6% do montante. Os contratos acima de 1 milhão de euros corresponderam a 28,4% do montante. Nos empréstimos sem garantia pública, 94,6% dos contratos tinham montantes até 250 mil euros, mas os contratos acima de 1 milhão de euros corresponderam a 45,6% do montante total.
Nos empréstimos com garantia pública, predominaram os contratos com prazo entre 1 e 5 anos (81,0% dos contratos e 68,6% do montante), seguidos pelos contratos com prazo superior a 5 anos — 17,9% dos contratos e 30,9% do montante. Já nos empréstimos sem garantia pública, os contratos até 1 ano assumiram maior relevância (58,7% dos contratos e 30,3% do montante), apesar de os empréstimos com prazo entre 1 e 5 anos terem concentrado a maior proporção do montante (41,0%), acrescenta o BdP.
“O recurso a este tipo financiamento foi mais expressivo entre as pequenas empresas e variou entre setores de atividade e regiões”
Outro ângulo da análise é que entre março de 2025 e março de 2026, 76,8 mil empresas contrataram novos créditos, das quais 16,2 mil (20,3%) recorreram a programas com garantia pública. As pequenas empresas registaram a maior incidência. Aqui os contratos com garantia pública representaram 27% do montante total concedido a este segmento.
“Como muitos destes programas se dirigem sobretudo às PME, a maior parte do montante dos novos contratos com garantia pública foi atribuída a micro, pequenas e médias empresas. Entre os vários escalões de dimensão, foram as pequenas empresas que registaram a maior incidência deste tipo de financiamento: os contratos com garantia pública representaram 27% do montante total concedido a estas empresas. Seguiram-se as médias empresas, com 19%, e as microempresas, com 9%”, segundo o documento.
O banco central destaca ainda que em comparação com o período da pandemia, o peso dos programas de financiamento com garantia pública foi, no período mais recente, inferior em todas as classes de dimensão das empresas. “Essa diferença foi particularmente acentuada nas microempresas e nas grandes empresas e reflete o carácter excecional e mais abrangente das linhas utilizadas durante a pandemia, dirigidas a um maior número de empresas”, refere o BdP.
Diferenças entre setores e regiões
O setor do comércio, transportes, alojamento e restauração concentrou o maior montante de novos contratos com garantia pública (1,7 mil milhões de euros). Em termos de peso relativo, as indústrias, eletricidade, gás e água lideraram, com 19,3% do montante total concedido nesse setor.
A nível regional, o Norte captou o maior volume absoluto, mas o Oeste e Vale do Tejo (24%) e o Centro (23%) apresentaram maior intensidade relativa. A Grande Lisboa registou o recurso mais reduzido a este tipo de financiamento (8% do montante total).
Os novos contratos sem garantia pública apresentaram uma distribuição diferente. Na maioria das regiões, a construção e atividades imobiliárias assumiu maior expressão no crédito concedido, enquanto o comércio, transportes, alojamento e restauração tinham um menor peso.
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