EUA afirmam que imigração transformou a Europa numa ‘incubadora’ de terrorismo
A administração Trump acusou a Europa de ser uma “incubadora” de terrorismo alimentado pela imigração em massa, segundo se lê num documento de 16 páginas que pretende dar pistas para a uma nova estratégia antiterrorismo, apresentado esta quarta-feira. A nova estratégia também coloca um foco na necessidade de erradicar “extremistas violentos de esquerda”, incluindo grupos “radicalmente pró-transgénero”.
“Está claro para todos que grupos hostis bem organizados exploram fronteiras abertas e ideais globalistas relacionados. Quanto mais essas culturas alienígenas crescem, e quanto mais as políticas europeias atuais persistem, mais terrorismo está garantido”, afirma o documento. “Como berço da cultura e dos valores ocidentais, a Europa deve agir de imediato e interromper o seu deliberado declínio”, diz ainda o estudo, liderado pelo coordenador de contraterrorismo Sebastian Gorka, próximo do presidente Donald Trump.
O relatório afirma que as nações europeias continuam a ser os “principais parceiros e de longo prazo de contraterrorismo” dos EUA, mas enfatiza: “o mundo é mais seguro quando a Europa é forte, mas a Europa está muito ameaçada e é tanto um alvo do terrorismo como incubadora de ameaças terroristas.”
Esta nova crítica à Europa – já antes feita por Trump e pelo seu vice-presidente JD Vance na Conferência de Munique do ano passado, surge apenas alguns meses depois de ser conhecida a nova Estratégia de Segurança Nacional de Trump, que afirma que o ‘velho’ continente enfrentava “um apagamento civilizacional” devido à imigração.
Ao mesmo tempo, Trump tentou pressionar líderes regionais a trabalharem mais estreitamente com os EUA para atacar cartéis e tomar medidas militares por conta própria contra traficantes de drogas e gangues transnacionais que, segundo a sua administração, representam uma “ameaça inaceitável” à segurança nacional do hemisfério ocidental.
Gorka disse que autoridades da administração Trump reunirão com aliados eurpeus ainda esta semana para discutir como podem fortalecer as suas estratégias antiterroristas. “Como o presidente deixou muito claro, mediremos a seriedade [dos europeus] como parceiros e aliados”, disse, acrescentando que os norte-americanos “esperam mais” dos seus parceiros.
Internamente, os grupos de esquerda continuam a ser uma grande preocupação para a administração do presidente republicano: “extremistas violentos de esquerda, incluindo anarquistas e antifascistas” estão na mira do debate. Gorka diz que os esforços antiterroristas dos EUA “priorizarão a rápida identificação e neutralização de grupos políticos seculares violentos cuja ideologia é antiamericana, radicalmente pró-transgénero e anarquista.”
Um estudo analítico publicado na revista ‘Oxford Academic’ intitulado ‘The security implications of transnational population movements’, analisou mais de 70 casos entre 1951 e 2016 e concluiu que imigrantes e refugiados não estão sistematicamente associados ao terrorismo.
Um artigo académico ‘Undocumented Immigration and Terrorism: Is there a Connection?’, baseado em dados dos 50 Estados norte-americanos entre 1990 e 2014, não encontrou nenhuma relação estatisticamente significativa entre imigração irregular e atividade terrorista.
O relatório do International Centre for Counter-Terrorism sobre o ‘Migration-terrorism nexus” afirma que a associação entre imigração e terrorismo é frequentemente simplificada por narrativas políticas e mediáticas, e que os dados reais mostram uma relação muito mais limitada entre as duas realidades.
O working paper ‘Do Immigrants Import Terrorism?”’ do Cato Institute, analisou 174 países entre 1995 e 2015 e concluiu que não há relação entre níveis de imigração e número de ataques terroristas seja em que geografia for.
Sebastian Gorka está associado à ala nacionalista e populista da direita norte-americana e é frequentemente acusado de exagerar a ameaça do terrorismo islâmico, promover análises consideradas alarmistas e manter proximidade ideológica com setores da extrema-direita europeia e norte-americana.
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