“Duplicar o comércio entre Índia e Portugal? Isso seria pouco ambicioso”, alerta embaixador
Portugal compra mais à Índia do que aquilo que vende para este país, sendo que o volume de compras superou os mil milhões de euros em 2024. Numa perspetiva de aumentar as exportações para este país, setores como maquinaria, produtos químicos, vinhos e azeite podem claramente ser focos de crescimento.
O acordo comercial entre UE e Índia deverá abranger dois mil milhões de consumidores e apresenta-se como uma enorme oportunidade para estimular as trocas comerciais entre dois países que se conhecem há mais de 500 anos. Essa foi a convicção deixada por Puneet Roy Kundal, embaixador da Índia em Portugal, no Growth Forum, esta quinta-feira. O evento tem lugar em Lisboa, é organizado pela Câmara de Comércio e Indústria e tem o JE, Forbes Portugal e Forbes África Lusófona como media partners.
“Temos uma fortíssima relação com Portugal e o apoio do país na nossa afirmação internacional é muito importante. As trocas comerciais ainda não refletem a forte relação dos nossos países. Há um enorme potencial enorme até porque há uma ligação forte com a CPLP”, destacou este diplomata.
Com o estabelecimento do acordo comercial UE-Índia, as trocas comerciais entre Portugal e Índia poderão duplicar? À pergunta, Puneet Roy Kundal respondeu com otimismo: “Perante o mercado interno que temos na Índia e o facto de sermos uma economia em amplo crescimento, acho que falar em duplicar é ser pouco ambicioso”.
E o que fazer para que esta ligação comercial seja efetiva? Ir para o terreno, defende o embaixador: “A Índia é um país enorme, há estados que têm mais população que o Brasil. É importante que cada indústria vá à Índia porque é a única forma de conhecer o país. Quanto mais cedo o fizerem, mais benefícios poderão retirar desta relação. Portugal pode voltar a liderar na relação com a Índia, sem dúvida”.
Para Puneet Roy Kundal, o acordo da UE com a Índia terá que ser um documento em aberto e não algo “cravado na pedra”. “Acredito que nenhuma indústria será seriamente afetada e que ninguém deve estar pessimista com algum dano que possa ser causado. Podemos crescer juntos e Portugal vai tirar grandes benefícios deste acordo até porque Portugal não tem que ser apresentado à Índia. Nós comemos e respiramos Portugal na Índia. Até a lei civil em Goa é portuguesa”, destacou.
Sobre um possível conflito entre indústrias, Joana Gaspar, board member da AICEP, deu como exemplo os têxteis portugueses que “sobreviveram devido à sua qualidade”. Assim, “não há razão para estar pessimista com essa concorrência nem que ter medo seja do que for”, destacou.
“Há uma moldura de confiança na relação com Portugal, até no que diz respeito ao crescimento dos imigrantes da Índia no nosso país. Temos alguns exemplos de empresas portuguesas bem sucedidas na Índia e a AICEP abriu um escritório na Índia para estimular essa presença. O setor automóvel e agroalimentar podem ganhar muito com este acordo comercial”, sublinhou a responsável da AICEP.
Joana Gaspar recordou que “há 28 estados e 28 idiomas na Índia. Com esta diversidade, as empresas têm que perceber o que querem vender e a quem querem vender. Não podem ir lá em viagens de dois dias, devem ir dez dias pelo menos e arranjem um parceiro local que vos vais ensinar tudo o que não vem nos livros. O investimento na Índia tem que ser a longo prazo porque há certificações que têm de ser cumpridas. Os voos diretos entre Portugal e Índia são essenciais para estimular essa proximidade dos empresários com o país”.
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