Desconexão emocional de trabalhadores ganha terreno nas empresas, diz Eurofirms
Quem não conhece alguém que se mantém em funções, cumpre o seu papel, mas entra num processo de rutura interna progressiva, afastando-se da organização sem que isso seja imediatamente percetível? É o “deixa andar”, ou na versão usada nos recursos humanos, o quiet cracking.
O fenómeno é ainda pouco estudado em Portugal, mas está cada vez mais presente no contexto das organizações, diz a empresa de gestão de talento Eurofirms. “O fenómeno do quiet cracking está a ganhar expressão nas empresas e é considerado como um dos principais riscos para a produtividade, com impacto direto no desempenho das equipas e nos custos operacionais”.
O maior risco, diz a Eurofirms, está na forma como o fenómeno se manifesta: sem conflito, sem sinais evidentes e muitas vezes confundido com estabilidade ou foco. A perda de iniciativa, a ausência emocional em reuniões e a denominada “hiper-conformidade” quando o colaborador deixa de questionar ou propor soluções são os principais indicadores deste tipo de comportamento silencioso.
“Nestes casos não existe uma carta de demissão, não há manifestações de conflito. Há apenas um vazio silencioso que pode passar despercebido até ser tarde demais. O maior risco para as empresas é não reconhecerem estes sinais a tempo e confundirem ausência de conflito com estabilidade”, explica Cristina Rosa, People Leader do Eurofirms Group Portugal.
Os modelos de trabalho híbrido dificultam a identificação destes casos, podendo até contribuir para que o problema se torne estrutural.
O impacto das diminuição do envolvimento dos colaboradores, reflete-se, refere a Eurofirms, no aumento do absentismo, na ocorrência de mais erros e no desgaste generalizado das equipas.
A empresa cita o mais recente relatório da empresa de estudos de mercado e consultoria Gallup, segundo o qual, em Portugal apenas 19% dos trabalhadores estão envolvidos no seu trabalho e 47% reportam níveis elevados de stress no dia-a-dia, acima da média europeia e global.
O cenário é geral a toda a Europa, onde apenas 12% dos trabalhadores se consideram envolvidos, enquanto a média global se fixa nos 20%. A Gallup situa em 9% do PIB mundial as perdas de produtividade decorrentes desta desconexão emocional.
A Eurofirms aconselha as empresas a antecipar o problema, através de “uma liderança próxima, momentos regulares de feedback e contextos onde as pessoas sintam que o seu contributo é reconhecido e tem impacto”.
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