Rentabilidade dos seis maiores bancos portugueses vai resistir em 2026, segundo a DBRS
A DBRS mantém uma visão favorável para a banca em Portugal, pois prevê que a rentabilidade dos seis principais grupos — CGD, BCP, Novobanco, Montepio, BPI e Santander Totta — se mantenha resiliente ao longo do ano, suportada pelo crescimento dos volumes, gestão de margens, aumento das comissões, controlo de custos e um custo do risco ainda contido — embora admita que possa subir ligeiramente face a 2025 devido ao cenário económico global mais fraco.
A conclusão consta de um comentário da Morningstar DBRS divulgado hoje.
Segundo a DBRS o crescimento económico português deverá situar-se em torno de 1,8% em 2026, segundo a mais recente projeção do Banco de Portugal, o que representa um cenário relativamente favorável face ao ambiente externo marcado pela incerteza geopolítica, nomeadamente o conflito no Médio Oriente, e eventuais pressões inflacionistas.
Entre os riscos destacam-se a volatilidade dos preços da energia, o eventual impacto retardado da inflação e das condições económicas mais fracas sobre famílias e empresas, e a evolução do conflito no Médio Oriente.
Ainda assim, a agência sublinha que os bancos entram na restante parte do ano com elevada capacidade de geração de resultados, boa liquidez, qualidade de ativos sólida e fortes almofadas de capital.
O relatório da Morningstar DBRS chega poucos meses depois de os bancos terem fechado 2025 com resultados muito fortes, confirmando a tendência de recuperação e consolidação do setor bancário português.
Bancos portugueses mantiveram resultados sólidos no 1.º trimestre de 2026
Os principais grupos bancários portugueses apresentaram resultados resilientes no primeiro trimestre de 2026, com lucros agregados a crescerem 4% face ao período homólogo e um retorno sobre o capital próprio (ROE) médio de 14,7%.
De acordo com a agência de rating, os bancos beneficiaram de receitas resilientes, forte crescimento do crédito e provisões mais baixas, conseguindo contrariar a pressão sobre as margens financeiras e o contexto de incerteza geopolítica internacional.
O lucro líquido agregado dos seis principais grupos — CGD, BCP, Novobanco, Montepio, BPI e Santander Totta — ascendeu a 1,3 mil milhões de euros. Embora os resultados individualmente tenham sido heterogéneos (com descidas em Montepio, Totta e BPI), o setor demonstrou solidez global.
O resultado operacional foi suportado por um crescimento robusto da concessão de crédito: os empréstimos brutos agregados avançaram 8,4% em termos homólogos e 2,6% em cadeia. Este dinamismo ajudou a compensar a descida de 0,8% no rendimento líquido de juros (NII), que se manteve pressionado pela normalização das margens, mas já mostra sinais de estabilização com evolução positiva em cadeia.
“As margens continuam sob pressão, mas o momentum trimestral positivo sugere que o NII poderá ter atingido o fundo”, refere o relatório.
As comissões líquidas cresceram 4,8%, impulsionadas por pagamentos, seguros e gestão de ativos. Os custos operacionais aumentaram de forma controlada (2,9%), permitindo que o rácio de eficiência se mantivesse em níveis muito competitivos (37%).
A qualidade dos ativos permaneceu sólida. O rácio médio de exposições Non Performing (NPE), vulgarmente conhecido como crédito malparado, ficou estável em 1,7% (1,6% excluindo a exposição da CGD à dívida soberana de Moçambique). A cobertura de NPEs situa-se em 90,9%, entre as mais elevadas da Europa.
O rácio CET1 médio subiu para 16,8%, oferecendo um colchão de mais de 680 pontos base acima dos requisitos mínimos regulamentares.
“Os bancos portugueses continuam a entregar resultados resilientes apesar de um contexto macroeconómico global desafiante e volátil, refletindo a solidez dos seus fundamentos subjacentes”, afirmou María Jesús Parra, CFA, Vice-Presidente de Ratings de Instituições Financeiras Europeias da Morningstar DBRS. “Esperamos que os bancos portugueses continuem a melhorar os seus fundamentos de crédito ao longo de 2026”, acrescentou.
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