A irresistível atração americana para morar em Lisboa
Os investidores milionários norte-americanos olham cada vez mais para o mercado imobiliário português, em particular para a cidade de Lisboa, que “tem preços relativamente acessíveis em comparação com outros mercados”, afirma Liam Bailey, diretor global de Investigação da mediadora norte-americana Knight Frank, parceira em Portugal da Quintela+Penalva.
O preço para um destino procurado tem sido um dos principais fatores de atração para os compradores nos últimos cinco anos. A capital portuguesa, para quem pensa comprar uma segunda casa ou um imóvel para investir, “ainda é um mercado acessível” para investidores que estão habituados a preços mais elevados, dando como exemplos, Paris ou Londres, diz Liam Bailey.
A mediadora norte-americana divulgou recentemente um estudo sobre o imobiliário de luxo no qual coloca Portugal no mapa dos investidores internacionais.
“Portugal foi sempre um destino muito popular, mas depois da covid-19 essa procura acelerou”, justifica a Knight Frank.
Nesse relatório, um dos dados mais significativos diz respeito ao número de metros quadrados de habitação que um milhão de euros compra em Lisboa, que nos últimos anos desceu 14%, passando de 93 para 80 metros quadrados. Estamos a falar de luxo, claro.
“Esses números apontam para o topo do mercado. Se quisermos uma casa com mais metros quadrados basta sair das zonas premium”, sublinha Bailey, realçando que os dados da mediadora indicam que os preços em Lisboa registaram uma ligeira desaceleração no último ano.
Ao invés, mercados como o Porto “têm visto um crescimento muito forte nos preços”, afirma.
Quatro em cada 10 milionários no mundo serão americanos
Que os norte-americanos investem cada vez mais no imobiliário português já é do conhecimento geral.
Apesar de não adiantar uma previsão sobre o número de investidores que podem escolher a beira atlântica até ao final do ano, Liam Bailey acredita que serão cada vez mais, “porque existe esse desejo de comprar casas em Portugal, não apenas em Lisboa”, explica.
Assume que a capacidade financeira norte-americana irá ser cada vez maior a nível mundial e a curto prazo e que isso terá influência na capacidade de escolha. “Cerca de 35% dos milionários no mundo neste momento são americanos”, aponta. “A nossa previsão é que nos próximos cinco anos aumente para mais de 40% e quatro em cada 10 milionários do mundo serão americanos”, reforça.
De três a cinco mil americanos em Portugal até ao fim do ano
Um plano B de vida e para o qual estão dispostos a investir vários milhões de euros. É desta forma que Nuno Durão, managing partner da Fine &Country Portugal, considera que os norte-americanos olham para Portugal.
“Vivem nos Estados Unidos, mas gostavam de ter na Europa, uma casa onde possam ir de férias, para trabalhar durante um mês ou vão reformar-se daqui a dois ou três anos e querem ter um sítio onde possam estar seis meses”, explica. “É esta a atração de Portugal”, diz.
A captação de investidores dos Estados Unidos ainda surge muito via Golden Visa, o que acaba por surpreender.
“Através dos fundos, continuamos a captar entre mil e dois mil investidores por ano”, conta Durão. “Primeiro tratam de comprar os 500 mil euros [de Golden Visa] pelo fundo”, aponta.
Mas queixa-se: “Infelizmente, em Portugal demora-se dois anos para tratar dos papéis. O volume de americanos que estamos a sentir agora, é um trabalho feito de há dois anos”, conta.
Perante este cenário, Nuno Durão acredita que como muitos já trataram do visto dourado há mais tempo, até ao final do ano Portugal deverá receber entre os três mil e cinco mil investidores norte-americanos.
Sobre o tipo de habitação que procuram, aponta que o interesse passa por propriedades com management, onde investem entre um milhão e três milhões de euros.
Os destinos são os mesmos de sempre, que já se tornaram habituais: Comporta, Lisboa e Cascais. “Conhecem o Algarve, mas descartam ligeiramente. Fazem muitas perguntas sobre o Porto, que nos Estados Unidos é muito conhecido pelo vinho”, conclui.
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