Subida da inflação e guerra no Médio Oriente levam a disparo nas yields a nível global
A subida recente da inflação nos EUA e a falta de esperança dos investidores numa resolução rápida para a guerra iniciada por Washington e Telavive no Médio Oriente está a levar a uma subida assinalável dos títulos obrigacionistas de dívida pública norte-americanos e a ameaçar mais consequências no mercado.
Os títulos do Tesouro dos EUA a 10 anos subiram mais de 3,6 pontos base (pb) para chegarem ao nível mais alto desde fevereiro do ano passado, com 4,631%, enquanto as bonds a 30 anos tocaram máximos de 2023 ao ultrapassarem uma yield de 5,12%. Recorde-se que, no caso das obrigações, as yields evoluem tendencialmente de forma inversa aos preços.
Também nos títulos a dois anos se registou uma subida expressiva, com as yields a tocarem máximos de mais de um ano ao chegarem a 4,11%.
Esta tendência verificou-se após o disparo na cotação do petróleo durante o fim-de-semana e que viu os preços do barril a chegarem a 111 dólares (95,4 euros) depois de novo episódio de violência no Médio Oriente, isto numa altura em que o cessar-fogo entre Teerão e Washington está preso por fios.
Também no Japão os títulos a 10 anos dispararam 10 pb até 2,739%, enquanto na Europa a Alemanha via uma subida de 2 pb para 3,183%. No Reino Unido, a incerteza política em torno de Keir Starmer já havia levado a uma subida durante a semana anterior, pelo que as yields até estão em ligeiro recuo no início desta segunda-feira, embora mantendo-se a níveis considerados elevados, com 5,169%.
Perante este cenário de preços da energia elevados e poucas perspetivas de resolução do conflito, os investidores e analistas inclinam-se cada vez mais para a possibilidade de os bancos centrais se verem obrigados a voltarem a subir taxas de juro, o que poderia levar a uma quebra nos mercados acionistas.
A ferramenta FedWatch Tool, da CME Group, aponta para mais de 50% de probabilidade de uma subida nas taxas de referência norte-americanas até final do ano, isto quando, há uma semana, o mercado dava mais de 70% de probabilidade a juros diretores no atual intervalo, de 3,5% a 3,75%.
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