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Clara Raposo defende transição energética rápida para garantir estabilidade financeira e competitividade da Europa

Clara Raposo defende transição energética rápida para garantir estabilidade financeira e competitividade da Europa

A vice-governadora do Banco de Portugal, Clara Raposo, alertou esta terça-feira que atrasar a transição energética vai sair mais caro à economia europeia. Num discurso na Câmara de Comércio Luso-Britânica, em Lisboa, afirmou que uma transição “desordenada ou tardia” implica maior risco de crédito, repricing abrupto de ativos e condições financeiras mais voláteis.
A Vice-Governadora defendeu que a competitividade futura dependerá dos custos de energia, da capacidade tecnológica e da capacidade de atrair capital. Os preços da eletricidade na Europa mantêm-se “significativamente mais altos do que nos Estados Unidos”, tornando a transição uma oportunidade para melhorar a resiliência, defendeu.
Para as instituições financeiras, isto significa reavaliar exposições e garantir que as carteiras resistem a diferentes cenários. Pois “sistemas financeiros que funcionem bem podem atuar como força estabilizadora ao alocar capital de forma eficiente e absorver choques”  afirmou.
A Vice-Governadora lembrou que os bancos centrais, incluindo o BCE e o Banco de Inglaterra, já passaram pela “fase necessária de normalização” após anos de estímulos. Sublinhou que a credibilidade da política monetária foi mantida e as expectativas de inflação a médio prazo continuam ancoradas, mesmo com a volatilidade do petróleo e do gás. No entanto, avisou que os bancos centrais não produzem energia: podem evitar que os choques se tornem inflação persistente, mas não eliminam o custo real.
A política monetária, a estabilidade financeira e o papel central das finanças sustentáveis na transição económica da Europa foram o foco do discurso proferido por Clara Raposo, Vice-Governadora do Banco de Portugal, perante os membros corporativos da Câmara de Comércio Luso-Britânica, em Lisboa.
Risco climático é risco financeiro
Entre 1980 e 2023, eventos climáticos extremos causaram perdas de 738 mil milhões de euros na UE, 162 mil milhões só entre 2021 e 2023. Para Clara Raposo, integrar o clima na supervisão e nos testes de stress não é alargar o mandato dos bancos centrais, mas sim adaptá-lo. Uma transição desordenada pode reduzir o PIB europeu em 1% a 1,5% até 2030, defendeu.
Clara Raposo referiu ainda que a UE precisa de 450 a 500 mil milhões de euros por ano até 2030, cerca de 3% do PIB, para cumprir as metas climáticas e defendeu maior interoperabilidade entre o modelo regulatório europeu e a abordagem de mercado do Reino Unido, e pediu mercados líquidos, incentivos alinhados e acesso das PME ao financiamento verde. “O ritmo da transição não é só ambiental, é central para a estabilidade financeira”, afirmou.
Com preços da eletricidade na Europa ainda muito acima dos EUA, a Vice-Governadora apontou que a resiliência energética vai ditar a competitividade futura. A transição representa uma realocação massiva de capital e exige sistemas financeiros capazes de absorver choques e reavaliar riscos, sublinhou.
Clara Raposo fechou a dizer que bancos centrais, empresas e governos têm de “olhar além do amanhã”. Pois, a força da política monetária está na visão de médio prazo: ancorar expectativas e garantir que choques temporários não se transformem em instabilidade duradoura, defendeu.
Dirigindo-se a uma audiência que incluía a Embaixadora Britânica Lisa Bandari e o Presidente da Câmara Rui Pedro Almeida, Clara Raposo sublinhou os laços económicos profundos e pessoais que ligam Portugal e o Reino Unido. Recordando os oito anos que viveu no Reino Unido como estudante em Londres e docente em Oxford, brincou dizendo que ainda “sonha em inglês”, elogia a gastronomia britânica e sente falta dos “quentes pudins britânicos” — embora não do tempo, que, ironizou, “parece que importámos recentemente”.
 

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