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Bull market da bitcoin é explicado por maior participação institucional

Bull market da bitcoin é explicado por maior participação institucional

A bitcoin entrou em bull market (valorização de 20% face a um mínimo) depois do mínimo atingido a 6 de fevereiro quando transacionava à volta dos 64.800 dólares (55,760 euros à taxa de câmbio atual). A criptomoeda furou a barreira dos 80 mil dólares (68.840 euros) quando a 6 de maio atingiu os 81.579 dólares (70.380 euros), somando um crescimento de 25,7%. No fim-de-semana (9 e 10 de maio) a bitcoin chegou a transacionar com um mínimo de três semanas.
Mas a criptomoeda recuava 5,3% esta quarta-feira para os 77.198 dólares (66.600 euros) face ao máximo de 6 de maio.
O bull market vivido pela bitcoin, desde o mínimo de fevereiro, deve-se a fatores como a maior participação do setor institucional e também aos fluxos de entrada verificados em external traded funds (etf) ligados à criptomoeda em março e abril. Fevereiro foi também aproveitado por investidores de longo prazo para adicionarem mais 212 mil bitcoin às suas carteiras, como assinala a corretora KuCoin, um fator que também ajudou à valorização da criptomoeda.
Dados da plataforma de criptomoedas, SoSoValue indicam que em março foram registadas entradas de 1,32 mil milhões de dólares (1,14 mil milhões de euros) em etf de bitcoin um valor que em abril, ainda o mês não tinha terminado, já se cifrava em 1,87 mil milhões de dólares (1,61 mil milhões de euros).
“Existem vários fatores favoráveis, os mercados estão cada vez mais focados na trajetória das taxas de juro e da liquidez, e qualquer indicação de um ambiente político mais estável tende a suportar ativos de risco como a bitcoin. Ao mesmo tempo, a procura constante através de canais institucionais, incluindo external traded funds (etf), está a criar uma procura mais consistente do que aquela que vimos em ciclos anteriores”, referiu o CEO da empresa de consultoria Digital Wealth Partners, Max Kahn, citado pela Investor’s Business Daily.
Recuo da bitcoin explicado pelas obrigações dos EUA
Este ligeiro recuo, verificado em maio, é explicado em parte pela subida verificada na yields das obrigações norte-americanas esta semana. No fim-de-semana (9 e 10 de maio) as obrigações norte-americanas a 10 anos estavam nos 4,63%, o valor mais elevado desde fevereiro de 2025, enquanto que as de 30 anos atingiram máximos de 2023 (5,12%), na segunda-feira.
Esta subida nas yields ligadas às obrigações norte-americanas provocou liquidações de 670 milhões de dólares (576 milhões de euros) no mercado de criptomoedas, onde se insere a bitcoin, de acordo com os dados da Decrypt.
O CEO da Yellow Capital, Diego Martin, citado pela Decrypt, referiu que “os choques geopolíticos já não afetam as criptomoedas diretamente como antes. Afetam os rendimentos dos títulos do Tesouro, o que afeta o apetite pelo risco, o que afeta os fluxos de external traded funds (ETF) e, consequentemente, a bitcoin. A transmissão é agora mais institucional”.
Os dados da SoSoValue adiantam que na semana que terminou a 15 de maio forma registadas saídas líquidas de mil milhões de dólares face às entradas líquidas de 622,75 milhões de dólares (535,870 milhões de euros) verificadas na semana anterior. Os dados da CoinDesk dão conta de saídas de mais de 1,5 mil milhões de dólares (1,29 mil milhões de euros) desde 7 de maio nos etf spot de bitcoin que estão cotados nos Estados Unidos.
Corretora traça cenários para a bitcoin
A KuCoin face ao atual estado da bitcoin traçou o seu cenário otimista e pessimista. “Até ao terceiro trimestre de 2026, se os detentores de longo prazo continuarem a acumular ao ritmo de fevereiro de 2026, de mais de 200 mil bitcoin por mês, o mercado poderá enfrentar um choque severo na oferta. Se a procura institucional através de ETF se mantiver consistente, enquanto as reservas das exchanges atingirem novos mínimos, uma pressão de compra relativamente pequena poderá impulsionar os preços exponencialmente para cima devido à falta de resistência do lado vendedor”, salienta. “Até ao quarto trimestre de 2026, se os detentores de longo prazo decidirem iniciar novamente vendas líquidas — à semelhança da tendência observada em julho de 2025 — o atual ambiente de baixa liquidez poderá agravar as quedas. Uma distribuição repentina de moedas de grandes detentores ou tesourarias corporativas num mercado com baixa liquidez provavelmente provocaria uma correção significativa dos preços, à medida que os livros de ordens lutassem para absorver o influxo”, alerta.

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