Atlante quer reforçar rede ultrarrápida e simplificar carregamento em Portugal
Como avalia o momento atual da mobilidade elétrica em Portugal? Estamos numa fase de maturidade ou ainda de consolidação?
Portugal está claramente numa fase de maturidade emergente. Já ultrapassámos a etapa do pioneirismo e da curiosidade. O consumidor português já não questiona se vai ou não aderir ao veículo elétrico (VE), mas sim quando e em que condições. Os números de vendas de VE confirmam esta tendência, e a crescente exigência dos utilizadores, que hoje avaliam a qualidade do serviço de carregamento com muito mais rigor, é prova de que o mercado amadureceu. Mas a consolidação ainda está em curso, e isso é normal. Num mercado em maturação, o que muda é a régua. Deixamos de ser avaliados apenas por estarmos disponíveis e passamos a ser avaliados pela qualidade da experiência, pela fiabilidade da rede, pela transparência do preço e pela consistência do serviço. É esse o campo onde a Atlante quer jogar e ganhar.
A instabilidade geopolítica no Médio Oriente voltou a pressionar os preços da energia e a colocar a segurança energética no centro do debate. Que impacto pode ter este contexto na transição para a mobilidade elétrica?
A instabilidade geopolítica é, paradoxalmente, um acelerador da transição elétrica. Sempre que os preços dos combustíveis fósseis sobem ou a sua volatilidade aumenta, a proposta de valor do VE ganha força. Um utilizador que carrega na rede Atlante a um preço fixo sabe exatamente quanto vai pagar independentemente do que acontece no Médio Oriente, na OPEP ou nos mercados de futuros. Essa previsibilidade é um argumento económico muito concreto. Para as empresas, o argumento é ainda mais direto. A eletrificação de frotas representa uma forma de desacoplar os custos operacionais da volatilidade do petróleo, com impacto direto no TCO e na resiliência financeira da organização. O contexto geopolítico não abranda a transição, pelo contrário, reforça a sua urgência.
Como caracteriza o utilizador português de veículo elétrico? O seu perfil tem mudado nos últimos anos?
O perfil evoluiu significativamente. Há alguns anos, o utilizador típico era entusiasta da tecnologia, de rendimento elevado, motivado por razões ambientais ou tecnológicas. Hoje, esse perfil alargou-se consideravelmente. Encontramos condutores de todo o espectro, do utilizador ocasional ao commuter regular, do profissional que precisa de autonomia diária ao gestor de frota preocupado com custos. O que mudou mais foi a exigência. O utilizador atual quer que o carregamento funcione. Quer saber o preço antes de ligar o cabo. Quer uma app que funcione. Quer que o ponto de carregamento esteja disponível quando chega. Deixou de tolerar fricção e passou a comparar operadores com muito mais rigor. Isso é, para nós, muito positivo porque é exatamente esse nível de exigência que diferencia os operadores sérios.
A Atlante implementou um preço fixo em toda a rede rápida e ultrarrápida em Portugal. Sem tarifas variáveis por tempo, sem surpresas.
O preço do carregamento continua a ser um fator decisivo na adoção da mobilidade elétrica? O que falta para tornar a experiência mais simples, transparente e competitiva?
O preço é decisivo, mas o que falta não é apenas baixar o preço, mas sim torná-lo previsível. São coisas diferentes. Um utilizador consegue tomar decisões racionais se o preço for claro antes de carregar. O que não consegue gerir é a incerteza: chegar ao posto, ligar o cabo e não saber ao certo quanto vai pagar no final. Foi exatamente por isso que a Atlante implementou um preço fixo em toda a rede rápida e ultrarrápida em Portugal. Sem tarifas variáveis por tempo, sem surpresas. Esta decisão não é apenas comercial, é uma declaração de posicionamento. Acreditamos que a transparência de preço é um direito do consumidor e uma condição para a confiança no setor. A par do preço, falta ainda uma maior disponibilidade da rede e uma melhoria da fiabilidade técnica dos pontos de carregamento. Quando combinamos preço transparente, app intuitiva, fidelização real através de recompensa em Green Gems, devolvendo parte do valor gasto no carregamento ao utilizador, e uma rede que funciona, aí sim estamos a construir a proposta direcionada para o utilizador.
Além do preço, que melhorias são ainda necessárias em Portugal ao nível da rapidez, fiabilidade e simplicidade do serviço de carregamento?
A fiabilidade é provavelmente o fator mais crítico neste momento. Não basta ter pontos de carregamento; é preciso que estejam operacionais quando o utilizador precisa deles. Este é um trabalho de infraestrutura e de operações que nunca está terminado e que exige monitorização constante, tempos de resposta a falhas muito curtos e um compromisso real com a experiência no terreno. Depois, há a questão da rapidez, não apenas em termos de potência instalada, mas em termos de tempo total de paragem. Quanto mais rápido o carregamento, mais o veículo elétrico se aproxima da conveniência do abastecimento tradicional. Investir em postos de carregamento rápidos e ultrarrápidos não é uma opção premium, é o caminho para normalizar o VE. Por último, a simplicidade do processo: desde a identificação do posto na app até ao início e conclusão do carregamento. Cada clique a mais, cada erro de interface, cada dúvida sobre onde carregar é uma fricção que o setor ainda precisa de eliminar. Na Atlante, este é um tema permanente na nossa agenda e que trabalhamos continuamente.
Hoje, com a evolução da tecnologia, das redes e da oferta digital, carregar um veículo pode e deve ser tão simples como qualquer outra rotina.
A Atlante tem vindo a reforçar a sua presença em Portugal. Como avalia a cobertura atual da vossa rede no país e quais são os planos de expansão?
A nossa rede em Portugal está a crescer de forma consistente e orientada para onde o utilizador realmente precisa. Não apenas nos grandes centros urbanos, mas também em corredores de longa distância, zonas de passagem estratégica e áreas que ficavam fora do alcance das redes tradicionais. A mobilidade elétrica não pode ficar confinada a Lisboa e Porto e a Atlante tem feito um esforço deliberado nesse sentido. Hoje, já são mais de mil pontos de carregamento de Norte a Sul do país. Em termos de planos, o foco é a expansão da rede de ultrarrápido com potências que tornam o tempo de paragem verdadeiramente curto e a cobertura de localizações que hoje ainda geram ansiedade de autonomia nos condutores. Queremos que qualquer pessoa que conduza um VE em Portugal saiba que encontrará a rede Atlante pronta a funcionar, onde quer que vá e onde precisa. A cobertura atual é uma base sólida. O que vem a seguir é escalar com qualidade.
O que podemos esperar da Atlante nos próximos 12 meses e que áreas serão prioritárias para a empresa?
Os próximos 12 meses são um período de consolidação e escala em simultâneo. Temos três prioridades muito claras. Uma das prioridades é a nossa oferta para empresas. O myAtlante Business está a ganhar tração e as empresas portuguesas estão cada vez mais atentas à eletrificação das suas frotas, seja por razões de custo, por requisitos ESG ou por uma combinação de ambos. Queremos ser o parceiro de referência nessa transição. Outra prioridade é continuar a expansão da rede com foco em ultrarrápido e cobertura nacional. Uma rede que cresce com qualidade e fiabilidade é a base de tudo o resto. Por fim, diria que continuar a trabalhar perto das pessoas e para as pessoas. Consideramos muito a voz dos nossos clientes que são quem está connosco todos os dias. Trabalhamos numa oferta competitiva que vá de encontro às suas necessidades e dificuldades e que procure tornar-lhe a experiência de utilização verdadeiramente simples, intuitiva e dinâmica.
Que ideia sobre a mobilidade elétrica considera que ainda precisa de ser desconstruída junto dos consumidores e das empresas?
Há uma que se destaca: a ideia de que o VE é complicado. Que carregar é difícil, que nunca sabemos o preço, que a rede não é de confiança. Esta narrativa existiu e em alguns casos foi justificada por experiências reais negativas. Mas está cada vez mais desatualizada. Hoje, com a evolução da tecnologia, das redes e da oferta digital, carregar um veículo pode e deve ser tão simples como qualquer outra rotina. A Atlante trabalha todos os dias para que essa simplicidade seja real e não apenas uma promessa. Quando o utilizador experimenta um carregamento rápido, com preço claro, confirmado na app e com chargeback em Green Gems no final, a narrativa muda imediatamente. Para as empresas, a ideia que precisa de ser desconstruída é que a eletrificação de frotas é um projeto complexo e burocrático demais para valer a pena. Com as ferramentas certas, e o myAtlante Business foi desenhado precisamente para isso, a transição pode ser simples, monitorizada e financeiramente vantajosa desde o primeiro dia.
Este artigo foi produzido em parceria com a Atlante Portugal.
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