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Proprietários têm até 30 de junho para limpar terrenos: corrida de última hora faz disparar procura

Proprietários têm até 30 de junho para limpar terrenos: corrida de última hora faz disparar procura

O Governo prolongou o prazo legal para a limpeza de terrenos em todo o território nacional até ao dia 30 de junho, dando uma última margem de manobra aos proprietários antes do início da época mais crítica de incêndios. No entanto, a fixação desta nova data gerou o habitual efeito de arrastamento, com os portugueses a deixarem a obrigação para a última hora e a provocarem uma autêntica corrida aos serviços.
De acordo com os dados mais recentes da plataforma Fixando, líder na contratação de serviços online em Portugal, a procura por serviços de limpeza de terrenos, desmatação, jardinagem e remoção de entulho registou um crescimento vertical de até 142% entre janeiro e maio, face ao mesmo período do ano passado, com os meses de março e abril a concentrarem os maiores picos de procura.
Esta pressão do calendário, agora estendida até ao final de junho, está já a criar fortes constrangimentos no mercado.
A Fixando alerta que o aumento repentino da procura está a provocar sérias dificuldades na resposta por parte das empresas do setor, destacando-se a falta de mão de obra disponível e uma subida generalizada dos preços praticados com a aproximação dos meses de maior calor.
Alice Nunes, diretora de novos negócios da Fixando, explica que todos os anos se verifica a tendência de muitos proprietários deixarem a limpeza dos terrenos para demasiado tarde, o que acaba por criar uma enorme pressão sobre os profissionais numa altura que deveria ser de prevenção ativa. A responsável refere ainda que, entre junho e setembro, os pedidos urgentes disparam significativamente, sendo normalmente motivados por notificações de fiscalização, incêndios nas proximidades ou necessidade imediata de intervenção.
Apesar dos prazos apertados e das dificuldades operacionais, os especialistas continuam a alertar que a limpeza regular e atempada dos terrenos é uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de propagação de incêndios florestais.
Tiago Carvalho, especialista do setor, sublinha que atuar cedo permite reduzir custos, melhorar a segurança e evitar situações de emergência durante o verão, destacando que a correta gestão de combustível reduz drasticamente a intensidade das chamas, diminui a velocidade de propagação do fogo e melhora de forma significativa as condições de atuação dos bombeiros no terreno.
No entanto, o setor enfrenta ainda grandes desafios estruturais e de mentalidade. Para a empresa Geonacional, um dos principais entraves continua a ser a falta de um acompanhamento contínuo dos terrenos ao longo do ano e a desigualdade na aplicação da fiscalização entre as diferentes regiões do país, defendendo que a prevenção deve ser encarada como um trabalho permanente e não apenas sazonal.
No mesmo sentido, a W&N Garden alerta que, apesar de haver uma crescente sensibilização pública, muitos proprietários continuam sem cumprir a legislação vigente.
Com base na sua experiência de mercado, os especialistas da empresa estimam que menos de metade dos proprietários cumpre regularmente as obrigações de limpeza, o que agrava as dificuldades operacionais quando o período de incêndios se instala.
Para contornar este cenário de saturação que se vive antes da meta de 30 de junho, a Fixando — que conta atualmente com cerca de 8.000 especialistas e empresas registadas nestas categorias — recomenda que os pedidos de limpeza passem a ser planeados e adjudicados preferencialmente entre os meses de fevereiro e março. Esta antecipação garante uma maior disponibilidade de profissionais e custos substancialmente mais reduzidos antes de se atingir o pico da procura que agora volta a sobrecarregar o mercado.

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