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Gil Antunes: “Estava mais nervoso à entrada do troço de Almargem do que no resto do rali todo”

Gil Antunes: “Estava mais nervoso à entrada do troço de Almargem do que no resto do rali todo”

Em pleno ano de comemorações das suas duas décadas de carreira nos ralis, Gil Antunes viveu um fim de semana inesquecível no Rally de Lisboa. Aos comandos do Dacia Sandero Rally 2 Kit, o piloto de Aruil não só conquistou a vitória na categoria Promo, como viu concretizado o sonho e o desafio de trazer o Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) para o concelho de Sintra, através de uma especial desenhada na sua freguesia, em Almargem do Bispo. Numa entrevista marcada pela emoção, o piloto recorda as origens, a tensão acumulada antes de correr perante a família e os amigos, e a satisfação de ver o público vibrar nas estradas onde cresceu.

AutoSport: Gil Antunes, o teu rali de casa, trouxeste o teu ‘velhinho’ Dacia, que não podias mesmo faltar este rali…
Gil Antunes: “Sim, é verdade. Este ano temos um programa constante, porque estamos nas comemorações dos meus 20 anos de carreira, e desafiei os meus navegadores a poder fazer alguns ralis durante o ano e poder andar com os seis. Só andaram dois, faltam ainda quatro. Éramos para ter ido a Ponte Lima ao Rally Series, mas optamos, claro, por fazer ver este Rali de Lisboa, o rali que passa em Sintra em Almargem do Bispo na nossa freguesia. Nós viemos com este carro inseridos no campeonato Promo, e ganhamos. Fantástico”.
AS: Mais do que propriamente a competição, toda a envolvência desta prova é para ti muito especial…
GA: “Sim, tenho que antes de mais agradecer muito à Junta de Freguesia de Almargem do Bispo e ao concelho de Sintra por terem aceite o meu desafio. Porque o Joaquim Capelo o ano passado no Rali de Lisboa perguntou-me se conseguíamos arranjar um troço em Sintra, fora da Serra de Sintra. E eu disse-lhe: Claro que sim, vamos trabalhar nisso e vamos fazê-lo. E acho que arranjamos um troço espetacular.
Tenho falado aí com os pilotos e o troço tem tudo, ganchos, saltos, zonas de espetáculo, muitas zonas para o público estar em segurança.
Conseguimos ter um final de troço numa zona onde podemos ver o troço a meio e estar ao mesmo tempo no final do troço. Não podia deixar de agradecer muito ao presidente de Junta, Câmara Municipal de Sintra, o desafio que eu lhes lancei, eles terem aceite, colaboraram desde a primeira hora e isso para mim é fantástico…”
AS: Trabalhou-se muito para trazer ralis de novo para estas zonas…
GA: “Quando eu há meia-dúzia de anos fazia parte da da Associação de Pilotos e nós comentavamos que não havia ralis em Lisboa, o rali do nacional mais perto de Lisboa era a Marinha Grande, 120, 150 km, por aí.
E agora, temos um troço em Almargem do Bispo, nas Camélias e após dois meses, temos p CPR a passar naquele troço. Para mim é um orgulho enorme, e mexeu muito comigo.
Eu disse ao Diogo (Correia), antes de entrarmos no troço, estava mais nervoso por ir fazer aquele troço, do que estive no resto do rali todo. Os outros nove ou 10 troços que fizemos, não me criaram pressão, não estava com pressão, estava tranquilo, descomprimido, descontraído.
E ali a entrada para o troço de Almargem, estava muito tenso…
Ele disse-me: “Só tens que fazer como se fosse os outros”. E assim foi. Ainda tivemos o cuidado de fazer um ‘piãozinho’ na Zona Espetáculo para agradecer ao público. E curiosamente foi no troço, mesmo com o pião que fizemos, foi no troço onde perdemos menos para a frente do rali.
Nós andávamos a perder em média três segundos por km. Naquele troço perdemos 2,5 para os Rally2, porque nós temos esse ponto de comparação. Sempre que nós conseguíssemos andar do primeiro da geral no nacional, com o Dacia, abaixo de 3 segundos, já estávamos muito contentes. Perdíamos em média 3 segundos por km para e o troço tem 10 km e nós perdemos 25 segundos, 2.5s por km.”
AS: Tu sempre viveste em Aruil, desde pequenino?
GA: “Sempre, sempre. Há um primo meu que é muito das árvores genealógicas que diz que eu e o meu irmão somos atualmente, na nossa geração, os mais naturais dali. Porque todos os meus avós maternos, paternos são todos dali, são todos da aldeia de Aruil.
AS: Andar ali a brincar como ‘puto’ e depois competir ali a este nível é incrível…
GA: “Ainda hoje falava com alguns alguns pilotos, colegas meus, e dizia que no cruzamento das quatro estradas, sensivelmente a meio do troço, ainda em 2019 fiz lá uns co-drives e o Hélder Rodrigues, que é meu amigo de infância, piloto de motas, tínhamos acabado os testes e os co-drives e eu disse: “Queres vir? Bora”. Foi andar comigo e capotamos ali. E era em terra, né? Eh, e agora aquilo foi asfaltado e nós precisamos de fazer o rali e temos ali o rali, eh pá, é muito muito muito gratificante. É um orgulho enorme. E ter ali a família e os amigos. Eu tive o cuidado de fazer um vídeo de mandar para um monte de gente e publicar nas redes sociais quando estávamos na Encarnação a dizer: “Agora vamos para Almargem, quero toda a gente a apoiar, toda a gente a puxar”.
Tudo isto é brutal e mexe muito conosco, mexe muito comigo, ver aquela dedicação e conseguirmos trazer este desporto que nós gostamos, para a nossa terra. É muito especial…”
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