Líbano leva à convocação de reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou este domingo que o exército hebraico tomou a fortaleza medieval de Beaufort, no sul do Líbano, como uma das medidas para intensificar as operações contra o Hezbollah. “Sob a direção do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e sob a minha direção”, o exército alargou as operações no Líbano, atravessando o rio Litani e conquistando a cordilheira do Beaufort — um dos pontos estratégicos mais importantes para defender as localidades de Galileia (no norte de Israel) e preservar a segurança dos soldados”, disse o ministro nas redes sociais.
Ao mesmo tempo, Netanyahu, ordenou que as tropas avancem ainda mais no interior do Líbano, apesar do cessar-fogo anunciado há mais de seis semanas e debatido com a mediação dos Estados Unidos. Lá para trás ficou a famosa ‘linha amarela’, que demarca a zona de segurança de 10 km a partir da fronteira entre os dois países. A direção é agora, a partir do rio Litani, chegar ao rio Zahrani, o que abrange cerca de 18% do território libanês.
Os analistas temem que o exército israelita continue a evoluir no território libanês de sul para norte, sempre com a ‘desculpa’ da perseguição ao Hezbollah. Ora, salientam, como o Hezbollah é também um partido libanês e tem o seu epicentro em Beirute, a capital do Líbano, é preciso saber-se até que ponto pretendem chegar as tropas de Netanyahu.
Para tentar aclarar a situação, a França pediu uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU – que servirá para que o mundo tome consciência da ação do governo israelita comandado por Netanyahu e pelas forças de extrema-direita ultra-nacionalista e pelos extremistas religiosos. Mas para nada mais: qualquer resolução que pretenda de algum modo admoestar Israel merecerá o veto dos Estados Unidos. Pouco depois, se o ‘road map’ obedecer às peripécias do costume, o primeiro-ministro de Israel emitirá um comunicado a queixar-se das posições da ONU face ao Estado hebraico e com certeza reservará umas linhas especialmente contundentes para o seu secretário-geral, António Guterres.
“Ordenei às Forças de Defesa de Israel (IDF) que expandissem as operações no Líbano. As nossas forças atravessaram o rio Litani. Assumiram o controlo de posições estratégicas elevadas. Tomaram a cordilheira de Beaufort. E agora, as minhas instruções são para aprofundar e estender o nosso controlo sobre as áreas que estavam sob o controlo do Hezbollah”, disse Netanyahu num vídeo divulgado pelo seu gabinete, acrescentando que “a captura de Beaufort é um passo espetacular e um ponto de viragem decisivo” na ofensiva.
As forças israelitas usaram Beaufort como base durante a anterior ocupação do sul do Líbano, que durou duas décadas e terminou em 2000. “Quarenta e quatro anos após a batalha heroica de Beaufort e neste dia de evocação dos soldados tombados durante a primeira guerra do Líbano (1982)”, os militares regressaram ao topo do monte Beaufort e “hastearam novamente a bandeira de Israel”, acrescentou Katz.
Recorde-se que Israel ocupou o sul do Líbano de 1982 até 2000 – num movimento militar que, como agora, pretendia responder a ataques vindos dali perpetrados por forças palestiniana, nomeadamente da OLP. As IDF chegaram a Beirute, que deixaram no final de setembro de 1982, mas continuaram a ocupar o sul do país. Só em fevereiro de 1985 realizaram uma retirada gradual para a ’Zona de Segurança’ ao longo da fronteira, patrulhada pelas forças de paz das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), que ali estavam esde a invasão israelita de 1978.
A reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o Líbano foi pedida pela França, como avançou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot. Em entrevista a uma estação de televisão, Barrot anunciou o pedido, que surge depois de Israel ter noticiado uma nova extensão da sua ofensiva terrestre no Líbano. “Nada justifica o prolongamento das operações militares israelitas no Líbano ou uma ocupação cada vez mais profunda do território libanês”, argumentou.
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