Estado angolano encaixa 280 milhões de euros com venda de 15% da Unitel
O preço final das ações representativas de 15% da operadora angolana Unitel, ativo a alienar via Oferta Pública de Venda (OPV), foi fixado em 40.040,00 kwanzas (cerca de 37,8 euros), atingindo o preço máximo previsto no prospeto, informou a BODIVA esta segunda-feira, em vésperas da entrada oficial da nova cotada na bolsa de Luanda.
O acionista único Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) vai encaixar, assim, 300,300 milhões de kwanzas (280 milhões de euros), uma vez que a colocação foi feita ao preço mais alto.
Os resultados da oferta foram apurados na Sessão Especial de Mercado Regulamentado, esta segunda-feira, seguindo-se a liquidação física e financeira da mesma, agendada para amanhã, terça-feira, virando mais uma página do Programa de Privatização de Activos do Estado (PROPRIV). Ficam por alienar, até ao final do ano, nove de 10 ativos; quatro serão privatizados em bolsa.
“A procura pelas 7.500.000 ações da UNITEL ultrapassou a oferta, tendo correspondido a um rácio de cobertura de cerca de 120,72%”, informa a Bolsa de Dívida e Valores de Angola numa nota enviada ao JE.
O mercado acomoda, assim, o maior IPO da bolsa de Luanda, que sucede ao do Banco de Fomento Angola (BFA), cuja procura foi cinco vezes acima da oferta, em setembro de 2025. A sessão de admissão à negociação no Mercado de Bolsa de Acções (MBA) vai decorrer no dia 29, quarta-feira.
A corrida à Unitel traduziu-se em 16.571 subscrições – de 17.549 ordens de subscrição -, correspondentes a 11.264 investidores como novos acionistas da empresa de telecomunicações.
O período de subscrição da OPV da Unitel, há muito aguardado pelo mercado, decorreu entre os dias 6 e 24 de julho.
OPV da Unitel acelera PROPRIV
Entre 2019 e 2026, foram alienados cerca de 120 ativos nacionais no âmbito do PROPRIV, que contratualizou cerca de 1,3 mil milhões de dólares. Segundo Álvaro Fernão, PCA do IGAPE, o país vive “a reta final do programa de privatizações”. A lista prevê ainda dez ativos por privatizar até ao final do ano. São “ativos estratégicos, dos quais três deverão acontecer em Bolsa”, recordou o mesmo responsável durante o Doing Business Angola de 2026, decorrido este mês.
Angola: Mercado de capitais é a carta na manga do Propriv na reta final
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