Choix Goncourt Portugal distingue romance “La Maison Vide”, de Laurent Mauvignier
A 4ª edição do Choix Goncourt du Portugal teve lugar esta tarde no Palácio de Santos – Embaixada de França, em Lisboa, que contou com a presença do escritor franco-argelino Kamel Daoud, vencedor do Prémio Goncourt 2024, pela obra “Houris” (Bertrand, 2024), como Presidente do Júri.
Jovens estudantes leram e debateram as quatro obras finalistas selecionadas para esta edição: “La Nuit au cœur”, de Nathacha Appanah (Gallimard); “La Maison vide”, de Laurent Mauvignier (Minuit), “Kolkhoze”, de Emmanuel Carrère (P.O.L); e “Le Bel Obscur”, de Caroline Lamarche (Seuil).
A escolha recaiu sobre “La Maison Vide”, de Laurent Mauvignier, uma saga familiar que atravessa 150 anos de história rural francesa, explorando os segredos, silêncios e heranças transmitidas entre gerações. A partir da descoberta de uma casa abandonada, o autor acompanha o destino de três mulheres marcadas pelas limitações impostas pela sociedade e pela família. O romance reflete sobre a memória, a filiação, as violências invisíveis e as profundas transformações sociais do século XX.
Laurent Mauvignier nasceu em Tours, em 1967. Romancista e dramaturgo, tem toda a sua obra publicada nas Éditions de Minuit. Destacam-se títulos como “Apprendre à finir” (2000, vencedor do Prémio Livre Inter e do Prémio Wepler), “Dans la la foule” (2006), “Des hommes” (2009), “Ce que j’appelle oubli” (2011), “Continuer” (2016) e “Histoires de la nuit” (2020). Em 2025, publicou “La Maison vide”, obra distinguida com o Prémio Goncourt.
O Choix Goncourt du Portugal funciona como “um prémio do público” em que os estudantes universitários das áreas da língua francesa e literatura comparada são convidados a escolher a obra vencedora dentre quatro finalistas do último Prémio Goncourt, neste caso referindo-se à edição de 2025.
Os estudantes começam por debater entre colegas e professores da sua universidade para selecionar uma das obras finalistas. Num segundo momento, um representante de cada universidade integra o júri nacional responsável pela escolha da obra vencedora. Ao todo, estão envolvidas oito universidades portuguesas: Universidade do Algarve, Universidade de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa, Universidade de Aveiro, Universidade da Madeira, Universidade de Coimbra, Universidade do Porto e Universidade do Minho.
Esta foi a quarta edição do Choix Goncourt du Portugal. No ano passado, o romance escolhido foi “Jacarandá”, de Gaël Faye (editado pela Relógio D’Água). Em 2024, o romance selecionado pelos estudantes portugueses, “Velar por ela”, de Jean-Baptiste Andrea, foi também o vencedor do Prémio Goncourt, publicado em Portugal pela Porto Editora.
A importância do Choix Goncourt
O presidente da Academia Goncourt, Philippe Claudel, aquando da sua passagem por Lisboa no âmbito da 3ª edição, fez um balanço muito positivo desta iniciativa que internacionaliza o Prémio Goncourt. “E acelerou, nos últimos cinco a 10 anos, com um grande número de países a fazerem pedidos para participar”, declarou então ao DN.
Atualmente, existem 44 Choix Goncourt, que reúnem 55 a 60 países em todos os continentes, num modelo que replica o Prix Goncourt des Lycéens, que existe há mais de 30 anos em França e que, todos os anos, constitui uma oportunidade para 2.000 alunos do Ensino Secundário conhecerem a primeira lista Goncourt, com cerca de 15 títulos. Objetivo? Ler e debater as obras na sala de aula, eleger os seus delegados e votar nos livros. Em meados de novembro, após a atribuição do Goncourt – o mais importante prémio literário em França – é atribuído o Prix Goncourt des Lycéens, que tem vindo a crescer em relevância. Os Choix Goncourt do estrangeiro seguem o mesmo modelo, mas têm a particularidade de envolver jovens alunos que não têm o francês como língua materna, mas que se interessem pela literatura francesa contemporânea.
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