Bolsas europeias seguem mistas, o ouro recupera e o petróleo regista descida
As principais praças europeias, que arrancaram a sessão a negociar em terreno positivo, mostrando estarem a conseguir contrariar o sentimento negativo nas ações mundiais, beneficiando com a desvalorização dos preços do petróleo e o peso mais reduzido do setor tecnológico nos índices, estão agora a caminhar para um terreno indefinido.
Isto depois da notícia do potencial acordo entre Israel e Líbano. O acordo anunciado em Washington após negociações entre Israel e o Líbano constitui “a última oportunidade para alcançar um cessar-fogo global e definitivo”, afirmou hoje o presidente libanês Joseph Aoun, que aguarda “a resposta” do Hezbollah.
O Stoxx 600 sobe mas muito ligeiramente (+0,068%) e o EuroStoxx 50 sobe 0,24%. Mas o FTSE 100 de Londres cai -0,51%; o italiano FTSE MIB desce -0,37%; o índice grego recua -0,37%, o holandês AEX cede -0,85% e o português PSI cai -0,47%.
Pela positiva destacam-se o francês CAC que sobe +0,81% e o alemão DAX que avança +0,48%.
Por cá a liderar as perdas estão as ações da EDP renováveis (-2,54%); as da EDP que recuam +0,94%; as da Galp que perdem -1,11%; e as da NOS que tombam +1,89%
Pela positiva destacam as construtoras. A Teixeira Duarte sobe +2,22% e a Mota-Engil avança +2,63%.
O BCP que abriu em alta já está a cair -0,11%.
Na opinião da Generali Investments, a crise energética provocada pelo fecho do estreito de Ormuz e o forte dinamismo do investimento em inteligência artificial mantêm os mercados num equilíbrio delicado. Segundo Thomas Hempell, diretor de investigação macroeconómica e de mercados da Generali Investments, uma retoma do fluxo de petróleo aliviaria as pressões estanflacionistas e melhoraria as perspetivas económicas.
Ouro em ligeira subida
O ouro regista uma ligeira recuperação esta quinta-feira, impulsionado pela quebra do dólar e pelo recuo no rendimento das obrigações soberanas.
De acordo com a mais recente análise de mercados divulgada por Tony Sage, CEO da Critical Metals, o metal precioso permanece, no entanto, perto dos mínimos recentes, com os investidores a enfrentarem riscos na política monetária e uma grande volatilidade geopolítica no Médio Oriente.
Embora as tensões na região continuem elevadas, os progressos diplomáticos recentes trouxeram alguma esperança ao mercado. O acordo de cessar-fogo entre Israel e o Líbano, a par da crescente pressão política dentro dos Estados Unidos para limitar o envolvimento militar, poderá ajudar a aliviar a pressão sobre o ouro, defende o analista. No entanto, acrescenta, enquanto este conflito não estiver totalmente resolvido, a atenção dos investidores continuará focada no impacto sobre os mercados energéticos, nas expectativas de inflação e nas decisões de política monetária.
A manutenção dos preços do petróleo em níveis elevados reforça o receio de que os grandes bancos centrais precisem de manter as taxas de juro restritivas por mais tempo, o que acaba por exercer uma pressão vendedora sobre o metal.
Segundo o CEO da Critical Metals, para o futuro, o foco do mercado estará firmemente voltado para os desenvolvimentos geopolíticos e para os próximos relatórios de emprego nos Estados Unidos, dados que vão influenciar diretamente as decisões sobre as taxas de juro.
Apesar destes obstáculos a curto prazo, as compras contínuas de ouro por parte dos bancos centrais continuam a funcionar como um pilar essencial de suporte a longo prazo para o metal precioso, defende.
Petróleo em ligeira descida
O Brent está a cair 3,54% para 94,35 dólares e o crude WTI desce -3,91% para 92,27 dólares, ao sabor dos acontecimentos entre EUA e Irão.
Samer Hasn, analista de Mercado Sénior da XS.com, comenta a evolução dos índices de referência do petróleo bruto que estão a registar uma ligeira hoje.
“Os preços do petróleo bruto mantêm-se em alta devido à falta de um avanço substancial nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão para pôr fim à guerra que está a causar perturbações no abastecimento global. Isto contrasta com o que Donald Trump afirma sobre o progresso nas negociações: na realidade, não há nenhum, e os próprios iranianos reconhecem isso. Entretanto, a resiliência da economia dos EUA ajuda a manter os preços do petróleo mais elevados, uma vez que a procura poderá permanecer forte”, segundo o Senior Market Analyst.
O único progresso tangível, refere, “é o anúncio de um cessar-fogo entre Israel e o governo libanês oficial, sem o Hezbollah, até ao momento. Um cessar-fogo estabelecido nessa região aumentaria as esperanças de uma calma mais ampla nesta guerra regional”.
“Um dos principais fatores que poderia fazer ruir o cessar-fogo regional é o agravamento dos combates entre Israel e o Hezbollah. No entanto, já assistimos a muitos períodos de calma no passado que terminaram com um regresso à escalada. Entretanto, os ataques de Israel ao Líbano recomeçaram hoje após o anúncio. Isto coloca a frágil trégua a um teste decisivo e deixa-a vulnerável a ruir a qualquer momento, destruindo assim qualquer esperança que reste de alcançar um acordo mais abrangente com o Irão”, acrescenta.
Apesar de os Estados Unidos e o Irão continuarem com ataques na região, Israel e o Líbano terão chegado a acordo para um cessar-fogo, que está condicionado ao fim das hostilidades do Hezbollah.
Wall Street logo promete abrir em queda.
Nos Estados Unidos destaque para a notícia que a Meta, Microsoft, Amazon e Alphabet vão investir 5,3 biliões de dólares em Inteligência Artificial entre o ano fiscal de 2025 e 2030, de acordo com a previsão atualizada do Goldman Sachs, que antes dos resultados do primeiro trimestre apontava para uma soma menos astronómica: 4,5 biliões de dólares.
Share this content:



Publicar comentário