Senador próximo de Lula da Silva alvo de operação policial no Brasil
O senador Jacques Wagner, próximo do Presidente do Brasil, é um dos visados numa operação da Polícia Federal por suposto envolvimento no escândalo financeiros do Banco Master, segundo uma decisão da Justiça brasileira consultada pela Lusa.
Segundo a corporação, o senador do Partido dos Trabalhadores (PT, partido de Lula da Silva) e líder do Governo no Senado atuou no Congresso Nacional em favor do banco de Daniel Vorcaro, tendo recebido dinheiro, imóveis de luxo, viagens, bilhetes para concertos no exterior e voos em aeronaves.
As informações constam na decisão do juiz André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal brasileiro, que autorizou a nona fase da operação Compliance Zero e levantou o sigilo da decisão, a qual foi consultada pela Lusa.
Até ao momento, Wagner não se pronunciou, enquanto o presidente nacional do PT, Edinho Silva, saiu em sua defesa, declarando que o senador de esquerda “é depositário de toda a (…) confiança” do partido.
Ao todo foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Baía, em São Paulo e no Distrito Federal.
Dois dias antes da operação da PF, o senador do estado da Baía subiu à tribuna do Senado para dizer que tem o seu próprio “código de ética” e que não tem “nenhuma relação” nem “nenhum negócio” com o Banco Master ou Vorcaro.
À época, reportagens da imprensa revelavam transferências financeiras de estruturas ligadas ao Master para familiares de Jaques Wagner no estado da Baía.
Esta não é a primeira vez que a Polícia Federal visa altas figuras do Senado brasileiro.
Em maio, a corporação investigou o senador da oposição e presidente do Partido Progressistas, Ciro Nogueira, pela sua amizade e proximidade com Vorcaro.
À época, a PF brasileira revelou pagamentos mensais destinados a Ciro Nogueira, além de viagens ao exterior, em troca da atuação do político do estado do Piauí no Congresso Nacional em favor dos interesses de Vorcaro.
Ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira chegou a ser considerado pelo Partido Liberal (PL) para ser candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro, na candidatura à Presidência nas eleições de outubro próximo.
Assim como aconteceu com Ciro Nogueira, a Polícia Federal encontrou evidências de que Jaques Wagner também apresentava emendas e mudanças em projetos de lei que pudessem favorecer o grupo económico de Daniel Vorcaro.
As investigações sobre o Master têm assombrado os três Poderes no Brasil, por envolver no escândalo figuras poderosas dos executivos federais e estaduais, assim como parlamentares, juízes, agentes policiais e do Banco Central brasileiro.
Nas últimas semanas, Flávio Bolsonaro tem sentido o impacto da sua relação com Vorcaro nas sondagens de intenção de voto, depois de um áudio divulgado revelar que pediu dinheiro ao ex-banqueiro para financiar uma cinebiografia do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A imprensa brasileira noticiou que Daniel Vorcaro tentou fazer um acordo de delação, rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que entenderam que faltavam elementos de prova.
Vorcaro teria referido pagamentos ao atual ministro de Minas e Energia do Governo Lula, Alexandre Silveira, quando era candidato a senador nas eleições gerais de 2022.
O ex-ministro da Casa Civil de Lula, Rui Costa, também é referido durante negociações do ex-banqueiro com o PT da Baía, mas Vorcaro não fez menções a pagamentos, informou a imprensa local.
Daniel Vorcaro continua preso, sendo acusado por múltiplos crimes, entre eles corrupção, suborno a agentes públicos e por financiar milícias digitais para atacar o Banco Central brasileiro e defender o Master.
Já o Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro passado por “grave crise de liquidez” e por emitir títulos a credores sem valor real, numa fraude que gerou prejuízos a fundos de previdência de estados e cidades.
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