Barómetro CIP/ISEG prevê retoma do crescimento do PIB no segundo trimestre
O Barómetro de Conjuntura Económica CIP/ISEG de junho de 2026 prevê que a economia portuguesa retome o crescimento em cadeia do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre do ano, depois de uma estagnação no início de 2026.
O PIB português deverá voltar a crescer em cadeia no segundo trimestre. A economia portuguesa tem registado uma evolução mais positiva do que o conjunto da Zona Euro e o sentimento dos consumidores acompanha essa tendência, segundo a confederação. Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP, salienta o desempenho “notável” das empresas nacionais após as tempestades e num contexto de crise internacional e de gás e petróleo mais caros. Mas recomenda cautela, alertando que “não é claro como o aumento do preço da energia se está a transmitir nas cadeias de valor, nem a rapidez com que esse impacto se irá desvanecer”.
Segundo o documento divulgado esta segunda-feira pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e pelo ISEG, os indicadores de atividade setorial apontam para um desempenho globalmente positivo da economia nacional, com os setores dos serviços, construção e obras públicas, comércio a retalho e indústria transformadora a evoluírem de forma favorável. O único decréscimo registado foi moderado no comércio por grosso.
A análise salienta que Portugal está a registar uma evolução mais positiva do que o conjunto da Zona Euro, onde também se verificou uma recuperação do indicador de clima económico em maio, atingindo o valor mais elevado desde julho de 2023. Entre as principais economias europeias, Itália, Alemanha e França evoluíram positivamente, enquanto a Espanha registou uma quebra ligeira.
O barómetro aponta ainda para dados positivos nas exportações de bens, cujo crescimento em abril superou o das importações — também assinalável —, abrindo perspetivas favoráveis para a recuperação do contributo da procura externa líquida para o PIB. A produção industrial cresceu em termos homólogos em todos os agrupamentos de setor, com exceção da produção de energia.
O diretor-geral da CIP, Rafael Alves Rocha, destacou a capacidade de adaptação das empresas portuguesas num contexto de guerras e instabilidade geopolítica, sublinhando que o aumento das exportações demonstra que a generalidade das empresas exportadoras “sai desta crise com a competitividade reforçada nos mercados internacionais”.
Rafael Alves Rocha elogiou ainda a recuperação das empresas afetadas pelas tempestades que devastaram várias regiões do país no início do ano, classificando de “notável” a capacidade que demonstraram para se reorganizarem e aproveitarem de forma eficiente os apoios disponíveis.
Apesar do sentimento dos consumidores acompanhar o desempenho empresarial — confirmando a inversão da trajetória de deterioração registada nos meses anteriores —, o responsável recomendou cautela quanto às perspetivas para os próximos meses.
“Ainda não é clara a intensidade com que o aumento do preço da energia se está a transmitir ao longo das cadeias de valor, nem a rapidez com que esse impacto se irá desvanecer”, afirmou, acrescentando que as incertezas nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão aconselham prudência, mesmo que os mercados internacionais já estejam a incorporar a perspetiva de um acordo no Médio Oriente.
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