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Banca moçambicana deixa taxa de juro inalterada em 15,5% pelo terceiro mês

Banca moçambicana deixa taxa de juro inalterada em 15,5% pelo terceiro mês

A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique vai manter-se inalterada em julho nos 15,5%, pelo terceiro mês consecutivo, após três cortes anteriores este ano, anunciou hoje a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
Desde janeiro de 2024, a taxa, conhecida como ‘prime rate’, tinha vindo progressivamente a descer, após seis meses consecutivos em máximos de 24,1%.
Este ano, em janeiro, a AMB decidiu cortar 10 pontos base à taxa, que caiu para 15,7% e em fevereiro manteve-a inalterada, apesar do corte na taxa diretora então decidida pelo banco central. Seguiram-se cortes idênticos, de 10 pontos base, em março e em abril, e a estabilização da taxa em maio, junho e agora em julho.
As oscilações da ‘prime rate’ estão associadas à taxa de juro de política monetária (taxa MIMO, que influencia a fórmula de cálculo da ‘prime rate’) pelo banco central, para controlar a inflação.
Antes, em 25 de maio, o Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de referência em 9,25%, aumentou o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional e admitiu que a inflação venha a disparar para dois dígitos devido à crise dos combustíveis.
“Esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e ao seu impacto sobre a cadeia logística e a oferta de bens, assim como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos”, explicou o governador do banco central, Rogério Zandamela.
A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), em Maputo, que se realiza a cada dois meses, e que decidiu manter a taxa inalterada, tal como já o tinha feito em março, então após 12 cortes (24 meses) consecutivos desde janeiro de 2024, com Zandamela a admitir que a continuidade da pausa neste “relaxamento” da taxa MIMO depende da evolução do contexto nacional e internacional.
Adicionalmente, anunciou, o CPMO decidiu aumentar o coeficiente de reservas obrigatória para os passivos em moeda nacional de 29% para 39% do total de depósitos que os bancos comerciais têm de guardar no banco central, “visando absorver a liquidez excedentária no sistema bancário, suscetível de gerar maior pressão inflacionária”.
Contudo, aquele órgão decidiu manter o coeficiente de reservas obrigatórias para os passivos em moeda estrangeira em 29,5%.
O governador do banco central anunciou também que a previsão da inflação foi agora “revista em alta”, recordando que em abril a inflação anual fixou-se em 4,4%, após 3,4% em março.
“Entretanto, no curto e médio prazo, antevê-se uma aceleração da inflação, podendo atingir dois dígitos, dependendo da duração do conflito no Médio Oriente”, disse Zandamela, reconhecendo os “efeitos diretos e indiretos do ajustamento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos”, bem como “da intermitência no seu fornecimento” e da inflação importada.
Os preços em Moçambique dispararam 2,32% em maio, quase quadruplicando face a abril, elevando a inflação homóloga a 7,22%, segundo dados divulgados anteriormente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), num mês marcado pela subida nos combustíveis.
A inflação em Moçambique cifrou-se em 3,23% em 2025, segundo o INE, abaixo do registo de 2024 e das previsões do Governo, que a prevê em torno de 7% para este ano.
A taxa de juro diretora de política monetária MIMO em Moçambique esteve fixada em 17,25% desde setembro de 2022, após a intervenção do banco central, que depois iniciou cortes consecutivos a partir de 31 de janeiro de 2024, quando reduziu para 16,5%.
Em março do ano passado, o Banco de Moçambique decidiu baixar a taxa para 15,75%, cortes que se foram repetindo em todas as reuniões seguintes, até chegar a 9,75% em setembro, 9,5% em novembro e em janeiro 9,25%, suspendendo em março, e mantendo em maio o ciclo de descidas.

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