BCE mantém o foco nos “efeitos indiretos” do episódio inflacionista, garante Philip Lane
O economista chefe do Banco Central Europeu (BCE) projeta que os possíveis efeitos de segunda ordem do episódio inflacionista na moeda única ainda demorem alguns meses a materializar-se, pelo que o foco estará nestes efeitos indiretos. Ao mesmo tempo, o banco manterá as opções em aberto, de forma a não se enclausurar ou comprometer previamente num cenário de elevada incerteza.
Em declarações à “Bloomberg” à margem do Fórum do BCE, realizado esta semana em Sintra, Philip Lane defendeu a decisão de subir juros na mais recente reunião de política monetária, mesmo no atual cenário de incerteza, mas recusou que se tratasse de uma “subida preventiva”, como muitos analistas descreveram.
“Foi uma decisão clara e robusta”, considerou, “mesmo do ponto de vista em que não antecipamos uma descida mais rápida dos preços” depois do memorando de entendimento entre EUA e Irão, que já trouxe alguma estabilidade aos preços do barril de petróleo nos mercados internacionais.
As empresas europeias “enfrentaram quatro meses de custos elevados”, particularmente na vertente energética, continuou, pelo que a decisão de junho foi a acertada, reforçou.
Por outro lado, “pode demorar algum tempo até vermos efeitos de segunda ordem”, pelo que o grande foco está “nos efeitos indiretos”.
“Como se vão materializar na inflação nos alimentos estes quatro meses de aumentos na energia? Essa incerteza é o principal desafio”, ilustrou. Na mesma linha, o BCE “não se irá encurralar” com comentários e especulações quanto ao rumo futuro dos juros, garantiu.
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