Capital de risco desacelera em Portugal, mas investidores mantêm otimismo para o 2.º semestre
O investimento de capital de risco em Portugal abrandou no primeiro semestre do ano, mas os investidores continuam a antecipar uma evolução positiva na segunda metade de 2026. Segundo o Barómetro do Investimento em Early Stage, da Investors Portugal, 76% dos investidores dizem que o número e o volume de investimentos ficaram abaixo do registado no segundo semestre de 2025.
No conjunto dos inquiridos, 60% afirmam ter tido bom acesso a oportunidades de investimento no primeiro semestre, ainda assim abaixo dos 68% registados no final de 2025. Também o levantamento de capital piorou: 68% reportaram dificuldades, quando no último trimestre de 2025 64% referiam maior facilidade nesse processo.
A perceção sobre o investimento mantém-se, no entanto, em terreno positivo, com 60% dos investidores a avaliarem a evolução como favorável. Para a segunda metade do ano, cerca de três quartos dos investidores acreditam que a atividade será positiva em número e volume de investimentos.
Exits mais cautelosos
O otimismo não se estende, no entanto, às saídas. O estudo aponta para uma inversão do sentimento em relação aos exits, com menos de metade dos investidores a mostrar perspetivas positivas (44%) e apenas 4% muito positivas para o segundo semestre.
Lurdes Gramaxo, presidente da Investors Portugal, sublinha que a liquidez continua a ser um entrave ao investimento e que as medidas de incentivo “tardam em chegar ou são cada vez menores”. A responsável admite que o cenário do início de 2026 se alterou e que os investidores estão agora mais prudentes quanto às oportunidades de saída.
A avaliação do papel das políticas públicas no setor continua maioritariamente negativa, embora com uma melhoria de 12 pontos percentuais face ao semestre anterior. Entre as medidas defendidas pelos investidores destacam-se benefícios fiscais, novas formas de financiamento, alternativas ao SIFIDE indireto, mais coinvestimento público-privado e maior previsibilidade dos programas públicos
A Investors Portugal diz que o barómetro pretende acompanhar o sentimento e as perspetivas do ecossistema early stage, ajudando a identificar tendências e necessidades do mercado.
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