Carneiro acusa primeiro-ministro de “insensibilidade atroz” sobre exames nacionais
O secretário-geral do PS considerou hoje incompreensível que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, não tenha tido “uma palavra de tranquilidade e confiança” às famílias sobre as falhas nos exames nacionais, acusando Luís Montenegro de “insensibilidade atroz”.
“Quero concentrar-me naquilo que são as declarações do ministro da Educação, que disse ontem [quarta-feira] que estava satisfeito porque havia apenas 7% de falhas nos exames nacionais. 7% de falhas são mais de 21 mil provas que não têm para já solução em relação à classificação dos exames”, respondeu aos jornalistas o líder do PS, à entrada para o Aquário Vasco da Gama, onde encerra hoje a iniciativa socialista “Rota pela economia do mar”.
Na perspetiva de Carneiro, é “um assunto demasiado grave que afeta milhares de alunos e milhares de famílias”, criticando o primeiro-ministro por “até agora e incompreensivelmente” não dizer “uma palavra de tranquilidade, de confiança, às famílias”.
“O primeiro-ministro mostra uma insensibilidade atroz na forma como desconsidera matérias de uma grave condição para aquilo que é a vida das famílias”, apontou.
“Isso para mim é que é, de facto, neste momento, muito relevante”, considerou.
O secretário-geral do PS disse ainda que esta é “uma crise no modelo de avaliação” como “não há memória”.
“O Presidente do Conselho Nacional de Educação afirmou que, em 30 anos que tem de vida dedicada aos modelos de avaliação e ao acompanhamento do ensino, não conhece uma crise com esta extensão e com esta profundidade”, referiu.
A empresa que desenvolveu a plataforma utilizada para classificar os exames nacionais diz que seguiu as especificações definidas pelo Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) e intervém no sistema “mediante solicitação”.
“A BLAT desenvolveu a plataforma de classificação para o IAVE/EduQA, sendo responsável pelo seu desenho e desenvolvimento, de acordo com as especificações definidas pelo IAVE/EduQA, intervindo mediante solicitação deste”, refere a empresa, numa resposta à agência Lusa na quarta-feira.
Nesse dia, o ministro da Educação escusou-se a comentar as declarações do Presidente da República sobre garantir que se manterá intacta a confiança das famílias no sistema de avaliação, dizendo apenas que a sua equipa está a “resolver tudo”.
O Presidente da República afirmou na quarta-feira esperar que os problemas na classificação dos exames nacionais do ensino secundário sejam resolvidos rapidamente: “O desejo do Presidente é que rapidamente tudo volte à normalidade e, sobretudo, que a relação de confiança entre os alunos e as suas famílias e o sistema de avaliação se mantenham intactos”, afirmou, mostrando-se confiante que tal irá acontecer.
Em causa estão as falhas identificadas durante o processo de avaliação dos cerca de 300 mil exames nacionais do 11.º e 12.º anos, que levaram a tutela a adiar as datas de divulgação dos resultados da 1.º fase assim como o calendário das provas da 2ª fase.
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