BCE chumba venda do BPG a chineses. Banco português entra na corrida
Três anos após a assinatura do acordo de venda do Banco Português de Gestão (BPG) aos chineses da VCredit, cotada em Hong Kong, eis que chegou o desfecho: o supervisor bancário (Banco Central Europeu, sob recomendação do Banco de Portugal) não deu luz verde.
Segundo as nossas fontes, o argumento dos reguladores para não aprovarem a venda do banco da Fundação Oriente aos chineses está relacionado com as contas da VCredit de 2025.
O Jornal Económico apurou que havia um prazo, até 4 de março de 2026, para a VCredit continuar no processo, o qual expirou sem aprovação regulatória e sem anúncio formal de uma nova prorrogação. Terá sido uma forma airosa de chumbar a proposta dos chineses.
Segundo fontes ligadas ao processo, a Fundação Oriente já desencadeou um novo processo de venda do banco, que, desde a sua constituição, já lhe custou mais de 100 milhões de euros.
Segundo as nossas fontes com conhecimento do assunto, a Fundação, liderada por Carlos Monjardino, já tem dois interessados, um dos quais é português, tendo já sido assinados acordos de confidencialidade. Os NDA (Non-Disclosure Agreements, ou Acordos de Confidencialidade) são assinados antes de qualquer troca de informações confidenciais ou sensíveis, o que revela que o processo já se encontra numa fase de apresentação de propostas.
O facto de existir um candidato português pode ajudar a que o processo de avaliação e autorização seja mais rápido, o que é importante para um banco que tem acumulado prejuízos.
BPG falha meta de resultados do Plano de Financiamento e Capital
O Banco Português de Gestão falhou a meta definida no Plano de Financiamento e Capital (FCP, do inglês Funding & Capital Plan), que previa um prejuízo de 6,3 milhões de euros para 2025. Os prejuízos do banco da Fundação Oriente ascenderam, em 2025, a 7,4 milhões de euros.
Apesar de ficar aquém dos objetivos, o banco liderado por João Costa Pinto salienta que reduziu os prejuízos em 2025 face aos 11,3 milhões de euros registados em 2024.
Um FCP (Plano de Financiamento e Capital) é um documento estratégico obrigatório que os bancos submetem aos reguladores, detalhando os seus balanços projetados, requisitos de capital, previsões de liquidez e os resultados dos testes de esforço (stress tests), para garantir a estabilidade financeira a longo prazo e o cumprimento das normas regulamentares.
Segundo o relatório e contas de 2025, a venda de um imóvel, que estava prevista para esse ano, mas que apenas se concretizou em 2026, foi o principal motivo apontado pelo banco para o desvio face ao objetivo do FCP. Este facto foi parcialmente compensado pela reversão de imparidades no título Inapa, segundo revelou o presidente do BPG numa mensagem integrada no Relatório de Gestão e Contas.
O presidente do Conselho de Administração, João Costa Pinto, explica ainda que a gestão do banco foi condicionada por três fatores principais: a expectativa da venda de 100% do capital pela Fundação Oriente, o esforço de adaptação às crescentes exigências regulamentares e a necessidade de controlar as necessidades de capital dentro dos limites previstos.
Um dos pontos positivos foi o forte crescimento da margem financeira, que mais do que duplicou, passando de 346 mil euros para 750 mil euros. Este avanço resultou de uma estratégia mais eficiente de captação de depósitos, com maior peso dos depósitos domésticos em detrimento dos mais caros obtidos através das plataformas RAISIN (Irlanda e Alemanha).
O custo médio anual dos depósitos desceu de 3,66% para 2,89%. Pela primeira vez em vários anos, os juros pagos a depositantes nacionais (2,2 milhões de euros) superaram os pagos a clientes estrangeiros (1,2 milhões de euros). A proporção de depósitos estrangeiros a prazo caiu para 22%.
O banco tem anunciado ao mercado campanhas promocionais para remunerar depósitos acima das taxas praticadas pelo mercado. Ainda este mês anunciou que aumentou as taxas de juro da sua oferta de depósitos a prazo para clientes particulares, que passam agora a remunerar até um máximo de 2,85% de Taxa Anual Nominal Bruta (TANB).
As receitas de juros atingiram 4,4 milhões de euros, enquanto os encargos com juros ascenderam a 3,7 milhões. A carteira de obrigações foi a principal fonte de proveitos.
Os custos operacionais (OPEX) aumentaram apenas 1,6% (abaixo da inflação), totalizando 8,6 milhões de euros. Já os gastos com pessoal ascenderam a 4,1 milhões, os gastos gerais e administrativos a 4 milhões de euros e as depreciações a 500 mil euros.
O banco registou ainda uma reversão líquida de imparidades de 600 mil euros, graças ao bom desempenho da carteira de crédito e à recuperação no processo de insolvência da Inapa.
Em termos de investimento, o Capex ascendeu a 221 mil euros (maioritariamente em Tecnologias de Informação), tendo mais de metade do montante investido nos últimos dois anos sido direcionado para projetos regulatórios europeus de qualidade e agregação de dados de risco (Basileia).
O BPG revela que cumpriu todos os rácios e requisitos prudenciais ao longo de 2025, incluindo os rácios de capital (CET1 e global), liquidez, alavancagem e limites de grandes riscos.
A situação líquida do banco, detido em 99,26% pela Fundação Oriente, ascendia, no final do ano, a 18,7 milhões de euros, tendo o rendimento integral melhorado para -5,9 milhões de euros (contra -10,2 milhões de euros em 2024).
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