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Hovione aumenta fábrica em 25% e fecha investimento de 40 milhões

Hovione aumenta fábrica em 25% e fecha investimento de 40 milhões

A Hovione, empresa internacional com mais de 60 anos de experiência em desenvolvimento farmacêutico e operações de produção concluiu a expansão do seu centro de desenvolvimento e produção de comprimidos em Loures, aumentando em 25% a sua capacidade produtiva, tendo acrescentando uma nova linha de produção equipada com tecnologia de última geração.
Esta nova área é o culminar de um ciclo de investimento de 40 milhões de euros realizado ao longo de cerca de uma década e integralmente financiado com capitais próprios, reforçando assim a sua capacidade para desenvolver, fabricar e exportar medicamentos complexos a partir de Portugal.
A cerimónia de inauguração ocorreu hoje e contou com a presença do ministro da economia e coesão territorial, Manuel Castro Almeida, da presidente do AICEP, Madalena Oliveira e Silva, da vice-presidente do INFARMED, Raquel Ascenção, e do presidente da Câmara Municipal de Loures, Ricardo Leão.
O projeto arrancou há cerca de 10 anos com a aquisição de um edifício que não estava preparado para produção farmacêutica e que teve de ser profundamente transformado para cumprir exigentes requisitos regulatórios. “Foi preciso adaptar o espaço para produção de comprimidos, com salas limpas e áreas dedicadas, que são bastante exigentes e caras de implementar”, explicou António Almeida, co-CEO da Hovione.
Ao longo deste período, a Hovione evoluiu tecnologicamente, passando da produção tradicional por lote para a introdução, em 2022, de uma nova linha dedicada à produção contínua de comprimidos — uma inovação a nível mundial onde a empresa assume uma posição única. “Somos líderes mundiais nesta tecnologia e, em várias áreas, os únicos a operar desta forma à escala industrial”, destacou António Almeida.
A expansão agora concluída reforça também a produção por lote, mas numa escala mais avançada e ajustada às necessidades dos clientes, numa lógica de complementaridade com a tecnologia contínua.
Segundo Marco Gil, co-CEO da Hovione, este investimento responde a uma procura crescente por soluções mais sofisticadas. “Prevemos que a procura pelos nossos serviços continue a evoluir positivamente”, afirmou. Esta expansão reforça o papel de Loures como o principal centro industrial científico e tecnológico da rede global da Hovione, que inclui entre os seus clientes 19 das 20 maiores empresas farmacêuticas do mundo. “As nossas equipas estão envolvidas no desenvolvimento ou fabrico de 1 em cada 10 novos medicamentos que são aprovados anualmente pelo FDA, que é a entidade reguladora do setor dos Estados Unidos”, diz, orgulhoso António Almeida.
Esta expansão contribui ainda para aumentar a capacidade exportadora da empresa, criar emprego qualificado e consolidar Portugal como um polo relevante no desenvolvimento e fabrico de medicamentos destinados a doentes de todo o mundo.
Manuel Castro Almeida destacou o investimento como um exemplo do caminho que o país deve seguir. “Este é um projeto que mostra como Portugal pode competir à escala global em setores de elevado valor acrescentado”, sublinhando que a indústria farmacêutica é estratégica para a autonomia europeia.
O governante destacou ainda o papel da inovação tecnológica desenvolvida pela empresa. “A aposta em tecnologia contínua, que é uma inovação a nível mundial, coloca Portugal na linha da frente da indústria farmacêutica”, disse, acrescentando que projetos como o da Hovione são essenciais para reforçar a competitividade do país.
Referindo-se ao setor, o ministro sublinhou a necessidade de reforçar a capacidade produtiva europeia. “A Europa precisa de recuperar capacidade industrial, nomeadamente na produção de medicamentos, e empresas como a Hovione são fundamentais para esse esforço”, afirmou.
Apesar das limitações no acesso a fundos europeus, o governante valorizou o investimento privado. “Temos de criar condições para que empresas que investem com capitais próprios continuem a crescer em Portugal e a exportar mais”, disse.
Com a unidade de Loures a aproximar-se do limite de capacidade, a empresa já tem em curso um novo ciclo de investimento, com destaque para o projeto no Seixal. A nova unidade deverá entrar em operação em 2027.
“Vamos investir 200 milhões de euros nesta primeira fase”, disse António Almeida, co-CEO da Hovione, explicando que a escolha do Seixal resulta de uma visão de longo prazo. “Quando pensamos nestes investimentos não pensamos a 10 ou 20 anos, pensamos a 50 ou 60 anos”.
Marco Gil, co-CEO da Hovione, acrescenta que a localização foi escolhida pela proximidade ao centro de investigação no Lumiar, ao aeroporto e à base de talento da região de Lisboa e da margem sul, além da disponibilidade de espaço para expansão futura.
A Hovione tem registado um crescimento médio anual de cerca de 10% ao ano nos últimos 15 anos e em 2025 atingiu uma faturação de 550 milhões de euros. O negócio é fortemente exportador, com os Estados Unidos a representarem entre 55% e 60% das vendas, seguidos pela Europa e pela Ásia.
A empresa conta atualmente com mais de 2600 trabalhadores, de 60 nacionalidades diferentes e alguns já na 5.ª geração, e prevê a contratação de mais 50 colaboradores qualificados nas áreas de produção, engenharia, qualidade, ciência e tecnologia, reforçando uma operação que atualmente já emprega 1250 pessoas em Loures.
“Este investimento vem completar as capacidades existentes em Portugal e reforçar a competitividade da nossa operação. Dá-nos mais escala e flexibilidade para responder às necessidades de uma indústria que procura desenvolver novos medicamentos mais rapidamente e construir cadeias de abastecimento mais resilientes e próximas dos mercados. É um passo importante para continuarmos a apoiar os nossos clientes a nível internacional”, afirmam António Almeida e Marco Gil.
Num contexto em que a Europa e os Estados Unidos perderam capacidade produtiva farmacêutica para a Ásia, a empresa posiciona-se numa área de maior valor acrescentado, centrada em medicamentos inovadores.
Para mitigar riscos geopolíticos e garantir proximidade aos clientes, a Hovione tem reforçado a sua presença internacional, incluindo investimentos nos Estados Unidos. “Conseguimos fornecer os mesmos clientes em diferentes geografias, o que reduz o peso de gerir uma cadeia de abastecimento global”, explicou Marco Gil, co-CEO da Hovione.
A empresa dispõe atualmente de 4 instalações — fábricas em Loures (Portugal), Cork (Irlanda) e New Jersey (Estados Unidos), e uma unidade em Macau (Ásia) sobretudo dedicada a desenvolvimento e serviços, e não à produção industrial em larga escala.
A expansão em Loures, agora concluída com um aumento de 25% da capacidade produtiva, consolida a posição da Hovione como uma das principais empresas exportadoras nacionais e um dos raros casos de liderança mundial a partir de Portugal em tecnologia farmacêutica avançada.
 

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