Bank Millennium do BCP aumenta lucro 39% no semestre com menos encargos de litigância
O Bank Millennium, subsidiária polaca do Banco Comercial Português (BCP), viu o resultado líquido no primeiro semestre de 2026 crescer quase 40%, beneficiando de uma queda acentuada das provisões para o contencioso relacionado com créditos hipotecários em francos suíços, informou esta terça-feira o BCP em comunicado ao mercado.
O banco polaco, do qual o BCP detém 50,1% do capital e que consolida pelo método integral, registou um lucro líquido de 708 milhões de zlótis (166,9 milhões de euros) entre janeiro e junho, mais 39% do que os 511 milhões de zlótis apurados no mesmo período de 2025.
A melhoria dos resultados foi impulsionada sobretudo pela redução de 65% nos custos associados aos créditos hipotecários denominados em moeda estrangeira (francos suíços), um dos principais fatores que tem penalizado a banca polaca nos últimos anos devido a processos judiciais movidos por clientes. Ainda assim, o BCP sublinhou que o desempenho do Bank Millennium se manteve condicionado por este efeito, apesar da melhoria.
Segundo o comunicado, os resultados refletiram também a resiliência da margem financeira, o crescimento das comissões e a manutenção de uma disciplina rigorosa de custos, num contexto marcado pela descida das taxas de juro de mercado e por um aumento significativo da taxa efetiva de imposto.
Segundo o banco, a taxa média da Wibor a três meses caiu 150 pontos base face ao primeiro semestre de 2025, o que se traduziu numa redução homóloga de 3% da margem financeira (2% em base ajustada). O indicador de margem financeira (NIM) recuou para 3,54%, contra 4,18% um ano antes.
As comissões líquidas cresceram 11% em termos homólogos, mas os custos operacionais aumentaram 9%. No conjunto, os proveitos core caíram 2% e o resultado operacional recuou 3% face ao período homólogo.
A qualidade dos ativos melhorou: o rácio de crédito com imparidade (Stage 3) desceu para 3,4%, de 4,2% um ano antes, com o custo do risco a fixar-se em 34 pontos base. O rácio de transformação (loans-to-deposits) situou-se em 57,7% em junho.
Em termos de solidez financeira, o rácio de capital CET1 fixou-se em 13,6% em junho, o rácio T1 em 16,1% e o rácio de capital total em 17,1%, já incluindo uma emissão de dívida AT1 de 1,5 mil milhões de zlótis. O rácio total ainda não reflete uma emissão subordinada Tier 2 de 500 milhões de euros concluída em maio, explica o BCP.
No balanço, naárea de retalho, a base de clientes particulares ativos ultrapassou os 3,35 milhões (+5%), enquanto os clientes empresariais de pequena dimensão cresceram 12%. Os clientes digitais ativos superaram 3,16 milhões (+6%), com os utilizadores exclusivamente móveis a representar cerca de 80% deste universo. Os depósitos de particulares subiram 17%, enquanto o crédito a este segmento cresceu 1% (2% excluindo crédito em moeda estrangeira).
No segmento empresarial, os depósitos aumentaram 10%, o crédito a empresas cresceu 32%, o volume de outros créditos e factoring subiu 47% e o negócio de leasing avançou 8%, sempre em termos homólogos
Em junho deu-se a entrada do banco polaco do BCP no índice Stoxx 600.
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