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Banco Montepio com lucros de 58,4 milhões no semestre a caírem 17,3% apesar da subida do crédito

Banco Montepio com lucros de 58,4 milhões no semestre a caírem 17,3% apesar da subida do crédito

O Banco Montepio obteve um resultado líquido consolidado de 58,4 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, uma quebra de 17,4% face aos 70,7 milhões registados no mesmo período do ano passado, que o banco atribui ao facto de os resultados de 2025 terem beneficiado de efeitos extraordinários, nomeadamente reversões de imparidades e impactos fiscais positivos. A rentabilidade dos capitais próprios (ROE) situou-se em 6,6%.
O banco justifica o resultado de 2025 foi impulsionado por eventos extraordinários, como a recuperação de 8,0 milhões de euros em imparidades de crédito e benefícios fiscais. O que explica a queda em 2026. “Mesmo sem estes efeitos pontuais, o negócio principal do Banco Montepio continuou a crescer de forma sustentável, apoiado pela atividade comercial, receitas estáveis e ativos de elevada qualidade. Como reflexo, o resultado operacional antes de imparidades subiu 6,1% (mais 5,1 milhões de euros) face ao ano anterior, atingindo os 88,0 milhões de euros”, refere a instituição.
Na conta de resultados, a margem financeira aumentou 2,7%, para 171,6 milhões de euros, sustentada pelo crescimento da atividade comercial e pelo maior contributo da carteira de títulos. As comissões líquidas cresceram 5,1%, para 69,1 milhões de euros, impulsionadas sobretudo pela mediação de seguros, serviços de pagamento e operações de mercado. Com isso, o produto bancário subiu 3,7%, para 234,4 milhões de euros.
Os custos operacionais aumentaram 2,4%, para 146,4 milhões de euros, refletindo o acréscimo dos custos com pessoal e dos gastos gerais administrativos, enquanto as amortizações permaneceram praticamente estáveis. Ainda assim, o banco melhorou o rácio cost-to-income recorrente para 60,4%, beneficiando do crescimento das receitas.
O custo do risco de crédito manteve-se praticamente nulo, anunciou o banco agora liderado por José Azevedo Pereira.
No balanço, o crédito bruto a clientes ascendia, no final de junho, a 13,74 mil milhões de euros, um aumento de 5,6% face ao final de 2025 e de 9,6% em termos homólogos, refletindo a expansão do crédito performing tanto a particulares como a empresas. Os depósitos de clientes atingiram um novo máximo de 16,56 mil milhões de euros, mais 3,1% desde o início do ano e 6,2% acima do registado um ano antes.
A qualidade da carteira de crédito manteve-se em níveis considerados robustos pelo banco. As exposições não produtivas (NPE) diminuíram 6,8% em termos homólogos, para 220 milhões de euros, fazendo baixar o rácio NPE para 1,6%, face a 1,9% um ano antes. O rácio NPE líquido de imparidades permaneceu em 0,3%. A cobertura dos NPE por imparidades específicas situou-se em 50,1%, enquanto a cobertura por imparidades totais para risco de crédito foi de 80,4%.
”O valor líquido do agregado Imparidades e Provisões apresentou uma dotação líquida de 5,2 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2026, face a uma reversão líquida de 2,6 milhões registada no período homólogo de 2025”, segundo o comunicado.
Os ativos ponderados pelo risco (RWA) subiram para 8.677 milhões de euros até junho de 2026, refletindo a concessão de mais empréstimos e o aumento da atividade comércial. Ainda assim, o peso destes ativos de risco face ao ativo total estabilizou em 41,9%, o que, segundo o Montepio, comprova que o banco conseguiu crescer sem desequilibrar o seu capital.
Em termos de solvabilidade, o rácio CET1 situou-se em 16,1% no final de junho, enquanto o rácio de capital total foi de 19,0%, ambos acima dos requisitos regulamentares.
Na liquidez, o banco apresentou um rácio de cobertura de liquidez (LCR) de 182,3% e um rácio de financiamento estável (NSFR) de 142,8%, dispondo ainda de um buffer de liquidez de 5,9 mil milhões de euros.
O Rácio MREL em percentagem da LRE fixou-se em 12,2% no final de junho de 2026, “permanecendo substancialmente acima do requisito mínimo regulamentar aplicável de 5,3%, refletindo uma posição confortável em termos de capacidade de absorção de perdas e recapitalização”, acrescenta o banco.
O Banco Montepio revela ainda que em 30 de junho de 2026, as responsabilidades com benefícios pós-emprego e de longo prazo, incluindo as provisões registadas em balanço, encontravam-se integralmente financiadas, apresentando um rácio de cobertura de 111%, superior ao registado no final de 2025.
O grupo Banco Montepio fechou o semestre com 3.045 pessoas (+1,5%) e o banco individualmente com 2.888 trabalhadores (+0,6%).
O número de balcões caiu para 222.

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