Trabalhadores com salários acima de 3.000 euros quadruplicam numa década, mas um terço continua a ganhar entre 900 e 1.200 euros
O número de trabalhadores por conta de outrem em Portugal com um rendimento líquido mensal igual ou superior a 3.000 euros quadruplicou na última década e quase duplicou em apenas dois anos, embora mais de um terço dos assalariados continue a receber entre 900 e 1.200 euros por mês, segundo um estudo divulgado hoje.
De acordo com a Randstad Research, com base em dados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de trabalhadores a auferir pelo menos 3.000 euros líquidos por mês atingiu os 125 mil no segundo trimestre deste ano, mais 27% do que há um ano e quase o dobro dos 71 mil registados no mesmo período de 2024. Em comparação com 2016, quando este grupo abrangia 28,7 mil pessoas, o número quadruplicou.
Apesar desta evolução, a distribuição salarial continua concentrada nos escalões intermédios. A faixa entre os 900 e os 1.200 euros líquidos mensais permanece a mais representativa, abrangendo 34,1% dos trabalhadores por conta de outrem, o equivalente a cerca de 1,56 milhões de pessoas.
O estudo indica ainda que os trabalhadores com salários mais elevados representam 2,7% do total dos assalariados e que este grupo é maioritariamente composto por homens, que correspondem a 69,2%, enquanto as mulheres representam 30,8%. O setor dos serviços concentra 78,7% destes profissionais e as regiões da Grande Lisboa e do Norte reúnem quase dois terços dos trabalhadores deste escalão remuneratório.
A análise da Randstad mostra também que o mercado de trabalho registou indicadores históricos no segundo trimestre, com a taxa de desemprego a fixar-se em 5,3%, o valor mais baixo desde 2011, e a população ativa a ultrapassar pela primeira vez os 5,7 milhões de pessoas. A população empregada aumentou em 99 mil pessoas no trimestre, para 5,4 milhões.
No mesmo período, o emprego cresceu sobretudo nas indústrias transformadoras, com mais 30,2 mil trabalhadores, e na construção, com um aumento de 21,9 mil. Nos serviços destacaram-se os acréscimos na educação, hotelaria, saúde e comércio, enquanto as atividades de telecomunicações, programação informática e consultoria perderam 18,6 mil profissionais.
Por faixas etárias, o emprego aumentou sobretudo entre os trabalhadores dos 25 aos 34 anos e dos 55 aos 64 anos, mas voltou a diminuir entre os jovens dos 16 aos 24 anos. O teletrabalho continuou igualmente a ganhar expressão, abrangendo 21,3% dos trabalhadores, com a Grande Lisboa a apresentar a maior incidência e os Açores a menor.
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