Crédito à economia moçambicana recua 0,4% em junho após máximo de maio
O ‘stock’ do crédito à economia moçambicana recuou 0,4% em junho, para 292.782 milhões de meticais (4.003 milhões de euros), após máximos históricos no mês anterior, segundo dados oficiais.
De acordo com o mais recente relatório estatístico do Banco de Moçambique, o volume em junho compara com 293.853 milhões de meticais (4.017 milhões de euros) registados em maio e com 288.112 milhões de meticais (3.939 milhões de euros) no mesmo mês de 2025.
Os dados de junho indicam ainda que o crédito a particulares continuava a liderar, com 105.649 milhões de meticais (1.444 milhões de euros), um aumento de 0,4% face a maio. Seguia-se o setor do comércio, cujo crédito cresceu 3,3%, para 24.503 milhões de meticais (335 milhões de euros), enquanto os transportes e comunicações recuaram 8,5%, para 23.847 milhões de meticais (326 milhões de euros), e a indústria transformadora diminuiu 0,1%, para 20.783 milhões de meticais (284 milhões de euros).
A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique manteve-se inalterada em agosto nos 15,50%, pelo quarto mês consecutivo, após três cortes anteriores este ano, anunciou anteriormente a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
Desde janeiro de 2024, a taxa, conhecida como ‘prime rate’, tem vindo progressivamente a descer, após seis meses consecutivos em máximos de 24,1%. Este ano, em janeiro, a AMB decidiu cortar 10 pontos base à taxa, que caiu para 15,70%, mantendo-a inalterada em fevereiro, apesar do corte na taxa diretora então decidido pelo banco central.
Seguiram-se cortes idênticos, de 10 pontos base, em março e em abril, e a estabilização da taxa desde maio.
As oscilações da ‘prime rate’ estão associadas à taxa de juro de política monetária (taxa MIMO, que influencia a fórmula de cálculo da ‘prime rate’) definida pelo banco central, para controlar a inflação.
Os dados do Banco de Moçambique indicam igualmente que a taxa média de juro dos empréstimos a um ano caiu para 22,63% em junho, face a 23,64% registado no mesmo mês de 2025, enquanto a remuneração média dos depósitos a um ano baixou de 6,48% para 4,98% no mesmo período.
O Banco de Moçambique manteve em 29 de julho a taxa de juro de referência em 9,25%, admitindo a redução de liquidez em moeda nacional e o crescimento da inflação no curto prazo, descendo para um dígito a médio prazo.
“Esta decisão é sustentada pela redução da liquidez em moeda nacional no sistema bancário, decorrente do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias em maio último, não obstante a prevalência de elevados riscos e incertezas associados às projeções de inflação”, anunciou o governador, Rogério Zandamela.
A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), em Maputo, que se realiza a cada dois meses, e que assim decidiu manter a taxa inalterada, tal como já o tinha feito em março, então após 12 cortes (24 meses) consecutivos desde janeiro de 2024, e igualmente no final de maio.
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