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Pressão social dita compras em tecnologia: dois em cada três portugueses gastam mais por influência dos jovens

Pressão social dita compras em tecnologia: dois em cada três portugueses gastam mais por influência dos jovens

O regresso às aulas aproxima-se e, com ele, uma das épocas do ano de maior pressão sobre o orçamento das famílias. Entre mochilas, material escolar e equipamentos tecnológicos, os gastos acumulam-se e nem sempre ficam dentro do que estava inicialmente previsto.
Um novo estudo realizado pela Appinio para a refurbed mostra que, em Portugal, dois em cada três consumidores já viveram ou presenciaram situações em que as preferências dos mais novos levaram a despesas superiores às planeadas.
A influência dos jovens, contudo, não significa que sejam eles a tomar a decisão final. O estudo, promovido pelo marketplace de equipamentos recondicionados refurbed, mostra que a escolha tecnológica continua sobretudo dependente dos adultos que suportam a despesa.
Cerca de 32% dos inquiridos dizem que quem paga tem a palavra final, enquanto noutras famílias a decisão resulta de uma negociação entre adultos e jovens. Apenas 11% consideram que os mais novos decidem autonomamente qual o equipamento a comprar.
Quando a tecnologia passa a ser uma questão de estatuto
A pressão não é apenas económica. É também social. Para 53% dos portugueses inquiridos, fatores como a marca, o estatuto ou a influência do grupo de pares são determinantes nas escolhas tecnológicas dos jovens.
Outros 34% reconhecem que esses elementos têm alguma influência, embora sejam ponderados em conjunto com necessidades práticas e funcionalidades.
Apenas 6% consideram que as escolhas são feitas exclusivamente com base em critérios racionais, como qualidade e características técnicas.
Entre os argumentos utilizados para justificar uma determinada compra, há um que se destaca: “todos os amigos têm o mesmo modelo”, apontado por 31% dos inquiridos. A pressão do grupo acaba, assim, por transformar um equipamento tecnológico numa questão que ultrapassa a sua utilidade.
O fenómeno é particularmente relevante num período em que muitas famílias procuram controlar despesas. Segundo dados do Observador Cetelem 2025, citados no estudo, o gasto médio por aluno ronda os 604 euros e 57% dos encarregados de educação reutilizam material escolar, revelando uma maior atenção ao reaproveitamento e à contenção dos custos associados ao regresso às aulas.
Recondicionados podem ganhar terreno
É neste contexto que os equipamentos recondicionados surgem como uma alternativa para reduzir a despesa sem abdicar de determinados dispositivos tecnológicos.
Quando questionados sobre a reação que esperariam de um jovem perante um equipamento recondicionado certificado, mais barato do que um modelo novo equivalente, 46% dos inquiridos acreditam que acabaria por aceitar a opção. Em sentido contrário, 18% antecipam uma recusa imediata.
A perceção, contudo, não é uniforme. Para 29%, a aceitação dependeria de o jovem conhecer as vantagens dos equipamentos recondicionados, enquanto 36% entendem que a reação dependeria de cada pessoa.
Os resultados mostram, assim, uma tensão entre duas forças que pesam nas decisões de compra das famílias: por um lado, a necessidade de controlar o orçamento; por outro, a pressão social para acompanhar os padrões de consumo dos pares.
À medida que o regresso às aulas se aproxima, essa tensão ganha particular importância. Se a preferência dos jovens pode levar os adultos a gastar mais do que tinham previsto, a crescente procura por alternativas mais económicas e sustentáveis poderá abrir espaço aos equipamentos recondicionados — sobretudo quando estes conseguem responder às mesmas necessidades tecnológicas por um preço inferior.
A questão, no fundo, já não é apenas qual o equipamento que os jovens querem. É quanto estão as famílias dispostas a pagar para que os filhos não fiquem para trás na corrida tecnológica.

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