PwC prevê que capex de infraestruturas de IA atinja os 31,6 biliões até 2050
A consultora PricewaterhouseCoopers (PwC) estima que as despesas de investimento (capex) ligadas a infraestruturas de inteligência artificial (IA) atinjam os 31,6 biliões de dólares, ou 27,2 biliões de euros (triliões na denominação norte-americana), até 2050.
No relatório intitulado ‘Global Data Centre’, que inclui 46 países e territórios, que foi divulgado na terça-feira 1 de setembro, estima-se que anualmente o investimento em infraestruturas de data centers (ou centros de dados) passe de cerca de 800 mil milhões de dólares (690,8 mil milhões de euros) em 2026 para 1,8 biliões de dólares (1,5 biliões de euros) em 2050.
Os Estados Unidos levam quase metade do capex. O documento estima que os norte-americanos absorvam 48% do total de investimento ligado a infraestruturas de IA, ou equivalente a 15,1 biliões de dólares (13 biliões de euros). “A região Ásia-Pacífico deverá representar 8,2 biliões de dólares (sete biliões de euros) em investimentos acumulados, liderada pela China e pela Índia, enquanto as estratégias soberanas de IA estão a acelerar o investimento na Europa e no Médio Oriente”, acrescentou.
É esperado que o investimento em infraestruturas de IA “acelere” à medida que os chips e outros equipamentos de tecnologia de informação e comunicação (TIC) necessitem de atualizações a cada poucos anos. “Os equipamentos TIC representarão uma fatia crescente do investimento — de 70% atualmente para 93% até 2050”, prevê-se.
O relatório identifica também cinco fatores que irão direcionar o fluxo de investimento a nível global. Um deles é a energia, tendo em conta que eletricidade acessível, fiável e de baixo carbono em grande escala é o requisito “mais difícil de ser cumprido” por muitos mercados. “A conectividade, a segurança, a certeza política e o consentimento da comunidade, juntamente com o acesso a unidades de processamento gráfico (GPUs), também influenciarão a alocação de investimento”, refere.
“A infraestrutura de IA está a tornar-se um dos principais desafios de alocação de capital da próxima geração. Abrange tecnologia, energia, imobiliário, cadeias de abastecimento, regulamentação e financiamento. Isto muda a forma como os investidores em infraestruturas precisam de pensar sobre os requisitos de capital, riscos e retornos”, disse a líder global de infraestruturas da PwC Austrália, Clara Cutajar.
Foram ainda testados dois cenários para avaliar como as alterações nas políticas comerciais, nos controlos de exportação e na soberania digital podem afetar o investimento global em infraestruturas de IA.
“No primeiro cenário, os controlos de exportação mais apertados interrompem as cadeias de abastecimento globais de chips. O investimento anual cai para cerca de metade da previsão central até 2030, antes de recuperar gradualmente à medida que as cadeias de abastecimento se adaptam. Mesmo com esta recuperação, o investimento global acumulado até 2050 está projetado em cerca de 25,5 biliões de dólares (22 biliões de euros) — aproximadamente seis biliões de dólares (5,1 biliões de euros) a menos do que a previsão central de 31,6 biliões de dólares (27,2 biliões de euros)”, descreveu.
“O segundo cenário apresenta um panorama diferente. Em vez de reduzir significativamente o investimento total, uma maior ênfase na soberania digital e numa infraestrutura doméstica fiável altera a forma como o capital é investido. O gasto global total diminui apenas ligeiramente, mas o investimento desloca-se para países com uma forte procura interna e uma capacidade de centros de dados relativamente subdesenvolvida, à medida que os governos e os sectores regulados dão prioridade à infraestrutura local”, acrescentou.
Clara Cutajar disse ainda que a expansão da IA ”não é uma maré crescente que naturalmente elevará” todos os barcos. “A captação deste investimento exige um posicionamento ativo. Os investidores devem reconhecer os centros de dados como ativos híbridos com um perfil de risco complexo”, acrescentou.
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