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Portugal acompanha tendência de menor riqueza combinada com redução da dívida

Portugal acompanha tendência de menor riqueza combinada com redução da dívida

Apesar de ter conseguido uma redução assinalável da dívida pública nos últimos anos, Portugal registou também uma diminuição da riqueza, em linha com o panorama europeu, onde a produtividade está estagnada e a poupança e investimento também desiludem. A conclusão é de um estudo da McKinsey, que se debruça sobre como a riqueza das famílias tem descolado da economia real.
Apesar de apresentar balanços relativamente equilibrados, a economia da zona euro “continua condicionada por uma combinação de produtividade estagnada, níveis elevados de poupança e investimento insuficiente, fatores que a aproximam de um cenário de estagnação secular”, lê-se no relatório sobre ‘The Global Balance Sheet 2026: Imbalance and Divergence’, do McKinsey Global Institute (MGI).
Isto contrasta com o cenário nos EUA, em que a produtividade “tem sustentado uma dinâmica económica mais robusta, embora subsistam vulnerabilidades associadas aos elevados níveis de dívida pública e às valorizações acionistas historicamente elevadas”, bem como com a China, onde a economia se continua a ajustar “à correção do mercado imobiliário, num contexto marcado pelo aumento da dívida pública e empresarial e pela procura de novos motores de crescimento”.
Olhando para o panorama global, o relatório constata que “a riqueza global continua a crescer mais rapidamente do que a economia real, reforçando os desequilíbrios que se têm vindo a acumular nas principais economias mundiais”.
Em concreto, a riqueza das famílias atingiu um máximo histórico de 570 biliões de dólares (492,6 biliões de euros) em 2025, mais 40 biliões de dólares (34,6 biliões de euros) do que no ano anterior, enquanto o balanço global se aproximou de 1,8 mil biliões de dólares (1,6 mil biliões de euros). Em contraponto, apenas 20% do crescimento da riqueza das famílias resultou da formação de novo capital produtivo, “refletindo uma crescente dissociação entre a criação de riqueza e os fundamentos da economia real”.
Para Portugal, o relatório destaca que riqueza líquida das famílias por habitante diminuiu cerca de 1,6% entre 2024 e 2025, enquanto os ativos produtivos diminuíram cerca de 10 pontos percentuais do PIB. Em sentido inverso, o país continuou a sua trajetória de redução da dívida pública, além de ter registado um máximo histórico no rácio entre capitalização corporativa e PIB, “em linha com a tendência global”.
“O estudo conclui igualmente que o investimento produtivo na Europa permanece abaixo dos níveis anteriores à pandemia e das médias globais, enquanto os elevados níveis de poupança continuam a limitar a procura e o crescimento económico. Apesar destes desafios, a Europa apresenta balanços relativamente mais equilibrados do que os observados noutras grandes economias, com níveis de endividamento das famílias e valores imobiliários mais próximos das respetivas médias históricas”, lê-se no comunicado que divulga o estudo.
Perante este panorama, o relatório urge a aceleração da produtividade, que “é o único cenário que permite sustentar, em simultâneo, o crescimento dos rendimentos, da riqueza e da atividade económica”. Alternativamente, este desequilíbrio pode ser corrigido via inflação sustentada, estagnação secular ou correção do balanço.
“Para o MGI, a evolução destas trajetórias dependerá da capacidade de cada região atuar sobre os fatores que condicionam o seu crescimento. Na zona euro, o factor mais crítico para acelerar o crescimento é um aumento do investimento produtivo. Num contexto de elevada incerteza económica, acompanhar esses fatores será determinante para compreender a evolução da produtividade, da criação de riqueza e da estabilidade económica na próxima década”, remata a consultora.

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