Estudo da CGI diz que aceleração tecnológica e digital é a macrotendência com maior impacto para gestores mundiais
A aceleração tecnológica e digital é a macrotendência com maior impacto para 70% dos gestores mundiais, mas a preparação das empresas ainda fica aquém da velocidade de adoção da inteligência artificial (IA), revela o estudo anual “Voice of Our Clients” da consultora CGI.
O relatório global, divulgado esta quarta-feira, 2 de setembro, baseia-se em entrevistas independentes a mais de 1.800 executivos das áreas de negócio e tecnológica — a maioria em cargos de direção —, identificando uma clara viragem do mercado rumo à engenharia e reengenharia digital para viabilizar e expandir o uso da IA.
Os resultados apontam para três grandes tendências macroeconómicas e tecnológicas. A primeira sublinha a urgência de construir organizações adaptáveis e resilientes perante as tensões geopolíticas e a reconfiguração das cadeias de abastecimento. Embora 52% dos líderes deem prioridade à soberania dos dados e a estratégias locais de cloud, apenas 25% classificam os seus modelos operacionais como altamente ágeis.
A segunda tendência evidencia que a ambição na adoção da IA está a ultrapassar a maturidade estrutural das organizações. Nos últimos dois anos, a implementação de IA Generativa (GenAI) disparou 30 pontos percentuais, estando já aplicada a processos operacionais em 62% das empresas. Contudo, apenas 40% possuem uma estratégia empresarial estruturada para esta tecnologia e somente 51% conseguem quantificar os resultados obtidos.
O terceiro vetor do estudo indica que o progresso das organizações está fortemente condicionado pela falta de talento e por limitações financeiras. A pressão dos custos lidera os obstáculos à transformação, agravada pelo facto de 45% dos executivos considerarem os sistemas informáticos antigos (legados) um entrave às estratégias de dados. Adicionalmente, 52% assumem que a escassez de profissionais de TI tem um impacto significativo na capacidade de execução dos projetos.
“Em linha com as conclusões globais (…), o investimento em IA em Portugal continua a crescer, impulsionado tanto pelas empresas como pelas iniciativas nacionais e europeias”, apontou o vice-presidente sénior da CGI em Portugal, Carlos Lourenço, citado no documento. O responsável defende que, para converter o investimento em valor real, as organizações nacionais precisam de “modernizar as suas plataformas, fundações de dados e modelos operacionais”.
A consultora canadiana aproveitou o lançamento do estudo — que coincide com o ano de celebração dos 50 anos da empresa, fundada em 1976 — para recordar a criação de um Centro de Excelência em IA em Portugal, infraestrutura direcionada para acelerar a transição tecnológica no mercado local.
Perante o aumento da complexidade operacional, o relatório conclui que os clientes mundiais estão a reduzir o número de fornecedores, privilegiando parcerias de confiança de base integrada (end-to-end) e recorrendo cada vez mais a modelos de serviços geridos seletivos para contornar o défice de competências internas.
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