Crédit Agrícole e Predica processam Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires e Rioforte em mais de mil milhões
São dois processos de primeira instância do Credit Agricole e da sua seguradora Predica contra o ex-presidente do Banco Espírito Santo e contra o ex-CFO do banco e ainda contra a empresa Rioforte do ex-Grupo Espírito Santo, que deram entrada no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa no passado dia 20 de julho e que foram distribuídos esta terça-feira, dia 1 de setembro, pelo Juízo Central Cível de Lisboa e são ações de “Processo Comum”, o que na prática, significa que o Crédit Agricole e a Predica estão a pedir indemnização por responsabilidade civil.
Na primeira ação o autor é o Crédit Agricole, histórico acionista do BES, que em 2014, ano da medida de resolução aplicada ao banco, tinha tinha 14,6%. Os réus são Ricardo Espírito Santo Silva Salgado, Amílcar Carlos Ferreira de Morais Pires e a Rioforte Investments. O valor da ação é de 855,3 milhões de euros [855.276.232,98 euros].
A segunda ação é interposta pela Predica – Prévoyance Dialogue Du Credit Agricole e os réus são os mesmos [Ricardo Salgado, Amilcar Morais Pires e a Rioforte]. O montante é mais baixo, ronda os 152,8 milhões de euros [152.843.982,51 euros].
As notícias foram avançadas pelo Eco e pelo Público e confirmadas pelo Jornal Económico junto do Citius.
O Crédit Agrícole que chegou a ter direta e indiretamente 20,1% do BES, quando apresentou as suas contas do terceiro trimestre em 2014, depois da Resolução do BES a 3 de agosto desse ano, já admitia avançar com medidas legais por causa do caso BES.
Em novembro de 2014, em comunicado, o Credit Agrícole dizia que “nos primeiros nove meses de 2014, o lucro líquido do grupo foi de 1.643 milhões de euros, menos 13,2% em termos homólogos, queda inteiramente atribuível à crise do BES no Verão passado”. O grupo falava ainda, no comunicado, de uma provisão de 65 milhões de euros para questões jurídicas.
Segundo o comunicado de resultados do grupo francês da época, o impacto das perdas associadas à resolução do banco português foi contabilizado em 708 milhões de euros, um valor registado ainda no segundo trimestre de 2014, ou seja, antes de a resolução ser oficialmente decretada.
Em agosto de 2014 o presidente executivo do Crédito Agricole, Jean-Paul Chifflet, lamentou “terem sido enganados pela família com a qual o Crédit Agricole tentou criar uma verdadeira parceria para construir o maior banco privado em Portugal”.
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