Autarca açoriano enaltece no Canadá papel dos emigrantes na preservação da cultura
O presidente da Câmara da Povoação (Açores), Pedro Melo, regressou ao Canadá – lugar onde viveu e que considera ter sido determinante para valorizar a cultura portuguesa – numa visita marcada pelo aniversário do Rancho Províncias e Ilhas de Portugal.
“Foi aqui que eu aprendi a valorizar a cultura portuguesa, a cultura açoriana. Foi aqui que comecei a ouvir música portuguesa”, afirmou o autarca açoriano, em declarações à Lusa, na noite de sábado 5 de setembro, durante a gala comemorativa realizada no Ancaster Fairgrounds, em Hamilton, na província canadiana do Ontário.
Pedro Melo explicou que chegou ao Canadá com cerca de 14 anos, tendo vivido aproximadamente quatro anos e meio em Mississauga, na região metropolitana de Toronto, onde estudou e trabalhou antes de regressar aos Açores.
“Foi cá que eu percebi, ainda jovem, a necessidade grande que havia de trabalhar e de gerir bem o rendimento do mês”, recordou, sublinhando que transportou essa aprendizagem para a vida pessoal.
O autarca mantém uma forte relação familiar com o Canadá, onde vivem dois irmãos e vários amigos. “Venho encontrando, todas as vezes que cá venho, principalmente os nossos imigrantes, os nossos irmãos da ilha e de Portugal, cada vez com vidas melhores e empresários de muito sucesso”, salientou.
Pedro Melo disse ter viajado também para transmitir uma mensagem de agradecimento à diáspora, recordando a solidariedade demonstrada pelos emigrantes sempre que os Açores enfrentam situações difíceis.
“Sempre que acontece uma catástrofe na nossa terra, são os primeiros a chegar-se à frente e a ajudar”, afirmou, acrescentando que pretende igualmente incentivar os emigrantes e descendentes a regressarem regularmente aos Açores.
Segundo o autarca, o concelho da Povoação tem atualmente cerca de seis mil residentes, sendo impossível determinar com precisão quantos povoacenses e descendentes vivem no Canadá e nos Estados Unidos, mas estimou que serão “muitos milhares”.
A ligação à diáspora esteve também presente na gala do 43.º aniversário do Rancho Províncias e Ilhas de Portugal, organização sediada na região de Hamilton e criada para preservar e transmitir o folclore e as tradições portuguesas às novas gerações.
“Estarmos aqui a comemorar os 43 anos de vida deste rancho é muito importante”, disse Melo, considerando que a longevidade do grupo representa o trabalho de várias gerações de dirigentes e elementos.
O autarca destacou particularmente o trabalho do presidente do rancho, Norberto Paiva, na preservação da identidade portuguesa “num país tão distante”.
“Foi aqui que comecei a apreciar os nossos folclores, as nossas filarmónicas”, recordou Pedro Melo, explicando que, quando regressou aos Açores depois da experiência canadiana, levava consigo “um carinho completamente diferente” pela cultura da terra.
Norberto Paiva, líder deste rancho e membro do grupo há 16 anos, disse à Lusa que a coletividade foi fundada há 43 anos por portugueses oriundos de diferentes regiões do continente e dos Açores, origem que explica o seu nome.
“O rancho foi criado para isso, para a gente preservar o nosso folclore, a nossa identidade portuguesa, as nossas tradições e também para manter as tradições dos nossos pais e dos nossos avós”, explicou.
O grupo conta com cerca de 44 elementos, maioritariamente jovens entre os 05 e os 22 anos, mantendo, segundo o dirigente, uma participação relativamente estável entre 40 e 45 elementos.
Cerca de metade dos integrantes são de origem açoriana, acrescentou Paiva, explicando que as comemorações deste ano têm uma ligação particular à Povoação, depois de o rancho ter sido recebido naquele concelho numa deslocação aos Açores há dois anos.
A gala contou ainda com a presença de uma comitiva da Casa dos Açores de Winnipeg, na província de Manitoba, que percorreu mais de dois mil quilómetros até ao Ontário para participar nas comemorações.
“Viemos com o nosso rancho adulto, a convite do grupo Províncias e Ilhas de Portugal, ao seu 43.º aniversário e também ao quinto Festival de Folclore”, disse à Lusa José Santos, presidente da Casa dos Açores de Winnipeg.
Fundada em 1992, a Casa dos Açores de Winnipeg completa este ano 34 anos e mantém desde a criação um rancho dedicado exclusivamente às danças e tradições das nove ilhas açorianas.
José Santos reconheceu dificuldades na captação de voluntários e músicos, considerando a falta de instrumentistas para acompanhamento ao vivo um dos principais obstáculos enfrentados atualmente pelos grupos folclóricos portugueses no Canadá.
Durante a gala, Jack Oliveira, gerente de Negócios da LiUNA Local 183, anunciou a disponibilidade do sindicato da construção para acolher a festa do próximo ano nas suas novas instalações em Vaughan.
As comemorações do 43.º aniversário prosseguem hoje, a partir das 14:00 locais (19:00 em Lisboa), com o quinto Festival de Folclore no Ancaster Fairgrounds.
Share this content:



Publicar comentário