A carregar agora

Venda da TAP decidida depois de 8 de outubro

Venda da TAP decidida depois de 8 de outubro

O Orçamento de Estado é entregue a 8 de outubro no Parlamento e a decisão de escolha do concorrente que vai ficar com os 44,9% da TAP será tomada depois disso, confirmou o Jornal Económico junto de fonte do Governo.
O JE questionou o Governo depois da notícia do Eco que refere que o vencedor da privatização da TAP será conhecido em “meados de outubro” e fonte governamental confirmou, remetendo para as declarações do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, na última sexta-feira, onde esse prazo terá sido revelado.
Questionado sobre o calendário, Leitão Amaro recusou avançar com uma data concreta, mas salientou que o processo deverá decorrer em “semanas, não em meses”.
Depois desse prazo a Air France-KLM e a Lufthansa apresentam as propostas finais revistas, seguindo-se a elaboração de um novo relatório de avaliação pela Parpública, que é depois entregue ao Governo.
Na sexta-feira, em conferência de imprensa esta sexta-feira, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, explicou que as propostas vinculativas da Air France-KLM e da Lufthansa, sendo os seus conteúdos diferentes, têm uma “avaliação global de tal forma  próxima”, o que justifica criar “um período de negociação final, de algumas semanas, com ambos os concorrentes”, com o objetivo de obter propostas melhoradas para que o Governo possa escolher “um único concorrente para a negociação finalíssima”.
“A decisão é a de olhar e identificar as propostas como globalmente tão próximas, que o melhor para o interesse nacional é ter uma fase adicional final de negociação com ambos. É essa a orientação, é essa a decisão e ela está sustentada no parecer”, afirmou o governante, sublinhando que a opção teve por base a avaliação técnica realizada no âmbito do processo de alienação.
Leitão Amaro explicou que a decisão procura “maximizar as possibilidades para o Estado português”, remetendo para uma negociação bilateral com cada um dos concorrentes os detalhes sobre as condições que o Governo pretende assegurar.
“Compreendem que essa conversa terá que acontecer bilateralmente e é aí que será o ponto”, afirmou, quando questionado sobre os temas que estarão em cima da mesa na fase final do processo.
O governante recusou detalhar o que será exigido nesta fase final, remetendo as exigências para negociações bilaterais. Isto é, o ministro não revelou quais serão as exigências concretas do Estado nas negociações, argumentando que essa informação é naturalmente do interesse dos dois concorrentes.
A avaliação da TAP feita pela EY e pelo Banco Finantia não é conhecida, mas os valores que têm sido noticiados oscilam entre mais de 1,6 mil milhões de os mais de 2 mil milhões, o que significaria que o valor dos 44,9% oscilaria entre os 876 milhões e os 933 milhões de euros.
Sobre os resultados da TAP e o seu impacto nas avaliações, Leitão Amaro destacou que a companhia apresenta vendas “historicamente elevadas, das mais elevadas que há memória”, considerando que a evolução do negócio e a expansão das vendas são fatores relevantes nas avaliações. O ministro apontou para a pressão sobre os custos, nomeadamente devido à crise internacional e ao preço dos combustíveis, considerando que estes fatores conjunturais também são tidos em conta nas avaliações, a par das “trajetórias estruturais” da empresa.
O que separa as propostas, segundo fontes conhecedoras do setor, é que a Air France-KLM é a que mais agrada aos sindicatos da TAP, porque são ambas (Air France e KLM) companhias que têm o Estado como acionista e como tal com maior experiência em gerir com um acionista público, que será a situação da TAP, já que só está à venda 49,9% da companhia (5% reservado a trabalhadores). Neste contexto seria um acionista mais sensível às questões laborais.
Há ainda uma informação obtida pelo Jornal Económico, mas não confirmada, que a Air France -KLM colocou como opção ter parte do preço pago em ações da própria empresa cotada. Isto, a confirmar-se, implicaria que o acionista da TAP (o Estado) receberia ações como forma de pagamento.
Já a Lufthansa tem a vantagem de pertencer à Star Alliance, a mesma aliança da TAP Air Portugal, enquanto a Air-France-KLM faz parte da aliança de companhias aéreas SkyTeam.
Fontes do setor explicam que a mudança de aliança é um processo complexo e disruptivo, e se ganhar a Air-France-KLM, a TAP terá de sair da Star Alliance e mudar-se para a SkyTeam.
Por outro lado, o facto de a Lufthansa pertencer à mesma aliança de companhias aéreas que a TAP (a Star Alliance é considerada a a primeira verdadeiramente global), ajuda à companhia alemã a obter mais sinergias e por essa via maior criação de valor. As alianças de companhias aéreas geram sinergias importantes para reduzir custos operacionais e ampliar a oferta aos passageiros.
Há partilha de redes e rotas (Codeshare) permitindo vender bilhetes em voos operados por parceiros, ampliando destinos sem novos aviões; há programas de fidelização unificados, ou seja, os passageiros acumulam e gastam milhas ou pontos em qualquer companhia da mesma aliança. Também no acesso a lounges e benefícios há sinergias. Os clientes de elite utilizam salas VIP e têm prioridade de embarque em toda a rede. Também há eficiência operacional em terra, nomeadamente a partilha de balcões de atendimento, serviços de assistência em terra, hangares e manutenção dos aviões. Para já não falar da cooperação comercial e tecnológica, que permite o alinhamento de horários de voos para otimizar conexões nos principais aeroportos (hubs).
Portanto as vantagens parecem apontar para a Lufthansa, mas o preço terá um papel relevante na escolha do Governo.
Aliás isso mesmo disse Leitão Amaro: “Quanto ao peso do preço na decisão final, este será naturalmente um critério importante, mas não o único, uma vez que o caderno de encargos prevê uma avaliação global das propostas”.
Não vou lhe dar um número preciso, mas vou só enfatizar que falei em semanas, não em meses.
“Perguntou se o preço é decisivo. O preço é naturalmente um critério importante, mas os documentos que regulam o concurso, o caderno de encargos, dizem que há outros critérios também. Por isso é que nós falamos sempre em avaliação global. O caderno de encargos assim o determina”, sublinhou o ministro.
“Ninguém compreenderia, nem foi isso que o país foi dizendo ao longo destes meses, criar apenas uma decisão baseada no preço”, afirmou.
Entre os fatores a considerar estão, segundo o governante, os interesses estratégicos de Portugal, nomeadamente as rotas aéreas, a ligação à diáspora e o projeto industrial associado à companhia aérea.
“Há interesses estratégicos para o país, para as rotas, para a diáspora, para o projeto industrial”, salientou.
Questionado sobre a composição do conselho de administração da TAP, António Leitão Amaro esclareceu ainda que o Conselho de Ministros não tomou qualquer decisão sobre essa matéria.

Share this content:

Publicar comentário