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Subida de juros do BCE agrava pressão sobre prestações da casa, alerta Deco PROteste

Subida de juros do BCE agrava pressão sobre prestações da casa, alerta Deco PROteste

A decisão do Banco Central Europeu (BCE) de subir as taxas de juro em 0,25 pontos base, fixando a taxa de depósitos em 2,5%, vai agravar a pressão sobre as famílias portuguesas com crédito à habitação, alertou a DECO PROteste no dia em que as taxas diretoras na zona euro subiram em 25 pontos base (pb) face a uma inflação que continua sem regressar ao objetivo de 2%.
Para um crédito de 250 mil euros, a 30 anos e com spread de 1%, a prestação mensal pode já ultrapassar os 1.180 euros, consoante o indexante utilizado, segundo cálculos da associação de defesa do consumidor com base nas médias da Euribor de agosto, calcula a Deco.
Embora as taxas diretoras do BCE não determinem diretamente o valor das prestações dos contratos com taxa variável, influenciam a evolução de indexantes como a Euribor, utilizada na maioria dos créditos à habitação em Portugal.
A Deco PROteste recorda que, em agosto, as médias mensais da Euribor subiram em todas as maturidades, com a Euribor a 12 meses a aproximar-se dos 3%.
Segundo a organização, para um crédito de 150 mil euros nas mesmas condições, a prestação calculada em setembro situa-se entre 674,66 euros (Euribor a 3 meses) e 712,15 euros (Euribor a 12 meses). Num empréstimo de 350 mil euros, o encargo mensal pode atingir 1.661,69 euros com a Euribor a 12 meses.
Para um crédito à habitação de 150 mil euros, a 30 anos e com um spread de 1%, a prestação calculada em setembro com base nas médias da Euribor de agosto é de:
· 674,66 euros, com Euribor a 3 meses;
· 691,53 euros, com Euribor a 6 meses;
· 712,15 euros, com Euribor a 12 meses.
Num financiamento de 250 mil euros, a prestação sobe para:
· 1.124,43 euros, com Euribor a 3 meses;
· 1.152,55 euros, com Euribor a 6 meses;
· 1.186,92 euros, com Euribor a 12 meses.
Já num crédito de 350 mil euros, o encargo mensal atinge os:
· 1.574,20 euros com Euribor a 3 meses
· 1.613,57 euros com a Euribor 6 meses
· 1.661,69 euros com a Euribor a 12 meses.
Efeito acumulado desde o início do conflito no Médio Oriente
A associação sublinha que o agravamento não resulta apenas da decisão de hoje do BCE. A Euribor a 6 meses, a maturidade mais utilizada nos contratos de crédito à habitação em Portugal, subiu 26% desde o início do conflito no Médio Oriente — o aumento mais significativo desde novembro de 2023. Também a Euribor a 12 meses registou, em agosto, o valor médio mensal mais elevado dos últimos dois anos.
De acordo com a Deco a nova decisão do BCE reforça esta tendência e não deixa margem para descidas das taxas até ao final do ano, com mais famílias a sentir o agravamento das prestações à medida que os contratos chegarem às datas de revisão.
“Uma decisão do BCE pode parecer distante do dia a dia dos consumidores, mas o seu efeito chega diretamente ao orçamento familiar”, afirmou a organização, citada no comunicado, alertando que juros mais elevados significam menos rendimento disponível numa altura em que as famílias já enfrentam aumentos nos combustíveis e no cabaz alimentar.
A Deco PROteste recomenda que quem tem crédito à habitação verifique já a próxima data de revisão da prestação, simule diferentes cenários de evolução da Euribor e avalie alternativas, como a renegociação das condições do crédito — incluindo a possibilidade de uma taxa mista de curto prazo, até dois anos — ou a transferência do empréstimo para outra instituição em caso de condições mais vantajosas.
A associação lembra que disponibiliza simuladores e o serviço Proteste Crédito para comparar ofertas e avaliar alternativas.

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