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Ana Botín e CEO dos maiores bancos europeus escrevem aos líderes da UE a pedirem travão a novos requisitos de capital

Ana Botín e CEO dos maiores bancos europeus escrevem aos líderes da UE a pedirem travão a novos requisitos de capital

Os presidentes e CEO dos maiores bancos europeus, liderados pela presidente executiva do Santander, Ana Botín, apelaram esta quinta-feira às instituições europeias para travarem temporariamente novos aumentos dos requisitos de capital e reduzirem as barreiras regulatórias, defendendo que os bancos precisam de maior capacidade para financiar o investimento e acelerar o crescimento económico.
Numa carta dirigida ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, à presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e à presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, os banqueiros dizem que a Europa enfrenta simultaneamente um período de baixo crescimento, instabilidade geopolítica, desafios energéticos e a necessidade de reforçar a defesa e competir com os Estados Unidos e a China em tecnologias críticas.
“Agora é o momento de a Europa redefinir o seu futuro”, escrevem os signatários, defendendo que os próximos seis meses devem ser usados para implementar reformas estruturais nos setores da energia, defesa e digitalização, mas também para remover obstáculos ao financiamento privado e ao investimento.
“Detenham a onda de exigências de capital em constante aumento”, apelam os banqueiros.
A dimensão das necessidades de financiamento é, segundo os banqueiros, particularmente elevada. Citando uma estimativa apresentada por Mario Draghi, apontam para necessidades de investimento estratégico da União Europeia de 1,2 biliões de euros por ano. Os bancos financiam atualmente cerca de 75% da atividade económica, enquanto o desenvolvimento dos mercados de capitais, embora considerado necessário, deverá demorar mais tempo.
Por isso, os signatários consideram que a concessão de crédito bancário ao setor privado terá de crescer cerca de 5% ao ano, mais do dobro do ritmo registado antes da pandemia. “Apenas um sistema bancário com maior capacidade de concessão de crédito pode avançar à velocidade de que a Europa necessita”, afirmam.
“Apenas um sistema bancário com maior capacidade de concessão de crédito pode avançar à velocidade de que a Europa necessita. Muitas PME nas cadeias de abastecimento europeias precisarão de um financiamento bancário substancial para expandirem as suas operações. Devemos criar um enquadramento que apoie esta procura crescente de financiamento”, escrevem.

“Como ponto de partida, apelamos a uma moratória imediata e temporária sobre novos aumentos – regulatórios e de supervisão – até que reformas de longo prazo estejam em vigor, para que os bancos possam colocar a sua geração de capital ao serviço do financiamento da Europa, em vez de a reter”

A primeira reivindicação dos banqueiros é uma moratória imediata e temporária sobre novos aumentos dos requisitos de capital, tanto regulatórios como de supervisão, até que sejam implementadas reformas de longo prazo. Os bancos europeus dispõem atualmente, segundo a carta, de cerca de 2,5 biliões de euros de capacidade de absorção de perdas, um valor que os signatários dizem estar em máximos históricos.
O objetivo é permitir que uma maior parcela da capacidade de geração de capital dos bancos seja utilizada para financiar empresas e investimentos, em vez de ficar condicionada por novos requisitos prudenciais.
A segunda reivindicação passa por uma simplificação permanente da regulação e por uma maior integração do sistema bancário europeu. “Façam da simplificação o objetivo permanente, e não uma solução pontual”, pedem.
Os banqueiros defendem que os supervisores devem passar a considerar também a competitividade e o crescimento económico e que devem ser eliminadas barreiras nacionais que fragmentam o mercado único e dificultam a criação de escala pelos bancos europeus.
“A fragmentação no mercado único europeu deve ser abordada através da remoção definitiva de barreiras impostas localmente que dificultam a escala e a integração. As empresas da UE têm de ser capazes de crescer e competir globalmente em pé de igualdade”, refere a carta.
Os signatários pedem à Comissão Europeia que apresente, até ao início de 2027, dois pacotes legislativos separados: um dedicado à simplificação e outro à integração. A intenção é permitir que o Conselho e o Parlamento Europeu concluam as reformas durante o segundo semestre de 2027.

“Não queremos enfraquecer as salvaguardas que sustentam a estabilidade financeira. Queremos terminar o fortalecimento dos sistemas bancário e de mercados de capitais em toda a Europa, incluindo a Suíça e o Reino Unido. Juntos, formam um ecossistema de mercados financeiros importante e interligado, que deve ser continuadamente promovido”.

Os banqueiros rejeitam, no entanto, que as propostas impliquem um enfraquecimento da estabilidade financeira. Argumentam que o sistema bancário europeu está hoje mais sólido e resiliente aos choques e que os recentes testes de esforço realizados na Europa confirmam a robustez do setor.
“Não queremos enfraquecer as salvaguardas que sustentam a estabilidade financeira”, afirmam, defendendo antes o reforço dos mercados bancários e de capitais europeus, incluindo uma maior articulação entre a União Europeia, o Reino Unido e a Suíça.
A carta sustenta, em síntese, que a Europa não enfrenta apenas um problema de disponibilidade de capital, mas também de capacidade para o mobilizar. Os bancos dizem estar preparados para financiar fábricas, investigação e infraestruturas energéticas, de defesa e digitais, mas consideram que o enquadramento regulatório atual limita a capacidade de resposta do setor ao aumento da procura de financiamento.
“Os bancos, juntamente com o resto da indústria financeira, estão preparados para enfrentar os maiores desafios da Europa”, escrevem, defendendo um sistema financeiro “construído para o crescimento, e não apenas para a segurança”.
Ana Botín surge como primeira signatária da carta, na qualidade de presidente executiva do Santander, seguindo-se os responsáveis de HSBC, UBS, Crédit Agricole, Société Générale, BNP Paribas, BPCE, ING, Deutsche Bank, Barclays e Standard Chartered.
Os signatários são, para além Ana Botín; Georges Elhedery, CEO do HSBC; Sergio Ermotti, CEO do UBS; Olivier Gavalda, CEO do Crédit Agricole; Slawomir Krupa, CEO do Société Générale; Jean Lemierre, Presidente do BNP Paribas; Nicolas Namias, CEO, Grupo BPCE (dono do Novobanco); e Steven van Rijswijk, CEO do ING.

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