Crédito à habitação atinge máximo do ano em julho e renegociações caem para mínimo histórico, aponta Simplefy
O mercado de crédito à habitação em Portugal registou em julho de 2026 o valor mais elevado do ano, segundo o Barómetro Simplefy de Setembro de 2026 (com dados de julho e do 1.º trimestre). O montante total de novos contratos subiu para 2.836 milhões de euros, enquanto o crédito regular (excluindo renegociações) alcançou 2.342 milhões de euros — o quinto mês consecutivo acima dos 2.000 milhões, uma sequência inédita na série estatística.
O peso das renegociações recuou para 17,43%, o valor mais baixo de sempre, consolidando a transição do mercado para uma dinâmica dominada por crédito genuinamente novo. A taxa mista reforçou a sua dominância, atingindo 85,88% dos novos contratos (novo máximo histórico), enquanto a taxa variável caiu para mínimos e a fixa se manteve residual. Já a taxa de juro média dos novos contratos subiu para 2,95%.
Os dados confirmam a solidez da procura por crédito à habitação e a valorização sustentada do imobiliário, num ambiente de estabilização gradual das taxas de juro e de melhoria dos indicadores de confiança.
Para Rui Lopes, CEO Simplefy, “julho reforçou a tendência que temos vindo a observar ao longo de 2026: a procura por crédito à habitação mantém-se robusta, apesar de um contexto económico ainda exigente. Com a produção de novo crédito a atingir 2.836 milhões de euros e as renegociações a representarem apenas 17,43% da atividade, o mercado está centrado na aquisição de habitação”.
“Paralelamente, a taxa mista voltou a ganhar terreno e atingiu um máximo histórico de 85,88%, sinal de que as famílias continuam a privilegiar soluções que conciliem acesso ao crédito com maior previsibilidade financeira”, acrescenta.
A Simplefy revela ainda o crescimento da sua rede de intermediários de crédito: a quota de mercado atingiu 12,93% em julho de 2026, novo máximo, num contexto em que o total de intermediários vinculados no Banco de Portugal continua a expandir-se.
A comunidade de intermediários de crédito destaca que no plano macroeconómico, o PIB manteve-se nos 2,5% (o valor mais elevado do ano), a inflação moderou para 3,04% e a confiança dos consumidores atingiu o nível mais favorável desde o início de 2026 (-19,5).
O desemprego estabilizou nos 5,3%, a Euribor a 6 meses rondou os 2,56% e a taxa do BCE permaneceu em 2,40%. No mercado imobiliário, a avaliação bancária atingiu 2.240 euros/m², novo máximo histórico, com uma valorização homóloga de cerca de 15,2% face a julho de 2025. Os apartamentos situaram-se nos 2.627 euros/m² e as moradias nos 1.606 euros/m². Os dados do primeiro trimestre de 2026 apontam para 37.745 transações e um montante médio de 262.839 euros.
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