Transportadores admitem protestos contra subida dos combustíveis. ANTRAM diz que apoio é “uma gota no oceano”
Os transportadores rodoviários de mercadorias estão a equacionar protestos perante a escalada dos preços dos combustíveis, numa altura em que as empresas dizem estar a enfrentar uma pressão crescente sobre os custos. A ANTRAM tem conhecimento de iniciativas que poderão avançar, mas demarca-se de qualquer mobilização.
“A ANTRAM não está nisso e, portanto, não promove protestos nem os organiza, nem contribui para que eles existam”, afirmou ao Jornal Económico André Matias de Almeida, porta-voz da associação. A posição da ANTRAM passa antes por procurar “promover a negociação” com o Governo e encontrar soluções para o impacto do aumento dos combustíveis.
Ainda assim, o responsável reconhece o grau de insatisfação existente no setor. A associação tem conhecimento de transportadores “muito insatisfeitos” com a situação que enfrentam atualmente.
O apoio anunciado pelo Governo é, por isso, recebido de forma positiva, mas está longe de compensar o aumento dos custos. “Todos os apoios numa altura tão delicada como esta são obviamente bem-vindos”, afirmou André Matias de Almeida. No entanto, acrescenta, trata-se de uma ajuda que representa “uma gota no oceano” perante a dimensão do problema.
As contas apresentadas pela ANTRAM ajudam a medir essa diferença. O apoio corresponde a cerca de 450 euros por veículo. Já desde o início do conflito, há cerca de sete meses, as empresas terão visto o custo mensal aumentar em aproximadamente mil euros por veículo.
Num exemplo com mil veículos, isso significa um acréscimo de custos de cerca de um milhão de euros por mês. Ao longo de sete meses, a subida acumulada chegaria aos sete milhões de euros. Face a esse valor, um apoio de cerca de 450 euros por veículo representaria aproximadamente 450 mil euros, ou seja, apenas uma pequena parcela do aumento de custos suportado.
Mesmo numa empresa com 100 veículos, o diferencial é expressivo: o apoio rondaria os 45 mil euros, enquanto o acréscimo de custos, tomando como referência os mil euros mensais por veículo, chegaria a cerca de 700 mil euros em sete meses.
“Obviamente é um apoio bem-vindo, mas isto é uma gota no oceano em face da grande dificuldade que as empresas hoje vivem”, resume o porta-voz da ANTRAM.
A associação representa mais de duas mil empresas do setor e considera que a pressão sobre os custos está também a criar um problema de competitividade face a outros mercados europeus.
É neste ponto que Espanha surge como uma das principais preocupações. Segundo André Matias de Almeida, Espanha mantém apoios extraordinários aos transportadores que são superiores aos atualmente disponíveis em Portugal. A ANTRAM questiona, em particular, se as regras relativas aos limites de auxílios de Estado estão a ser aplicadas de forma idêntica nos dois países.
A diferença tem consequências que ultrapassam o custo direto dos combustíveis, sustenta a associação. “É um problema de competitividade”, explica o porta-voz, apontando para o risco de as empresas portuguesas ficarem em desvantagem face às suas concorrentes espanholas, com possíveis perdas de serviços e de trabalho.
A pressão sobre o setor surge num momento particularmente difícil para empresas com margens reduzidas e forte exposição aos custos energéticos. Para a ANTRAM, a dimensão do aumento dos combustíveis e a sua duração estão a colocar as empresas perante uma situação que exige respostas mais robustas.
Apesar da insatisfação crescente e da possibilidade de protestos promovidos por transportadores, a associação mantém uma posição de distanciamento em relação a essas iniciativas. A estratégia da ANTRAM passa pela negociação com o Governo, embora o setor deixe cada vez mais evidente a dimensão da pressão que está a suportar.
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