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Joalharia do Carmo prepara-se para abrir em Paris 2.ª loja internacional da marca

Joalharia do Carmo prepara-se para abrir em Paris 2.ª loja internacional da marca

A Joalharia do Carmo prepara-se para abrir em Paris a segunda loja internacional, depois de Nova Iorque, seguindo-se a Ásia e América do Sul como geografias com “particular interesse” para as marcas do grupo O Valor do Tempo.
Em declarações à Lusa, a diretora de ‘Marketing’ e Comunicação Cultural do grupo português afirmou que este ano “o foco está nas duas aberturas internacionais da Joalharia do Carmo”, sendo que a primeira foi já concretizada em julho, em Times Square [Nova Iorque], e a segunda será “nos próximos meses”, em Paris.
“Para o próximo ano e para os seguintes, tudo é possível”, disse Sónia Santiago.
“Continuaremos atentos às oportunidades que forem surgindo e avançaremos sempre que entendermos que fazem sentido para o grupo e para as nossas marcas, mantendo a ambição que nos tem guiado: levar a portugalidade ao mundo com elevação”, precisou.
A nova loja em Times Square da Joalharia do Carmo – marca fundada em 1924 na rua do Carmo, em Lisboa, e que passou a integrar O Valor do Tempo em 2021 – é o segundo espaço comercial do grupo naquela famosa praça nova-iorquina, depois da abertura, há três anos, da já icónica “The Fantastic World of the Portuguese Sardine” (O Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa), em 2023.
A responsável do grupo avançou à Lusa que o investimento realizado na Joalharia do Carmo em Nova Iorque “contempla um contrato a 10 anos, no valor de seis milhões de euros”, sendo que nas próximas aberturas “os investimentos serão ajustados à dimensão, localização e características de cada projeto”.
Na atual estratégia da Valor do Tempo, as conservas e a filigrana são os dois conceitos “com características mais sólidas para ganhar relevância internacional”, pelo que não estão em cima da mesa “planos concretos para internacionalizar outras marcas”.
Ainda assim, o grupo garante que tudo está em aberto, mantendo-se “atento às oportunidades” e disponível para avançar “se surgirem o mercado, o momento e o projeto certos”.
“Entre as geografias que acompanhamos com particular interesse estão a Ásia e a América do Sul, onde acreditamos que alguns dos nossos conceitos poderão encontrar espaço para se afirmar”, avançou Sónia Santiago.
Relativamente ao mercado nacional, a O Valor do Tempo diz não ter atualmente prevista uma expansão da rede: “Estamos, antes, numa fase de consolidação e otimização da nossa presença, avaliando de forma muito criteriosa cada localização”, disse, precisando que tal significa “abrir pontualmente uma ou outra loja” em locais considerados estratégicos e, ao mesmo tempo, o eventual abandono de localizações que deixem de “fazer sentido” para os conceitos da marca.
“O objetivo não é crescer em número de lojas, mas garantir que estamos nos lugares certos e que cada espaço acrescenta valor ao conjunto do grupo”, enfatiza.
Depois de ter faturado 50 milhões de euros em 2025, o grupo não projeta – pelo menos publicamente – o volume de negócios para este ano e para 2027, referindo apenas que em Portugal cresce “ao ritmo natural da economia portuguesa” e que são os investimentos estratégicos em curso nos Estados Unidos que “podem mudar a escala” e “transformar um crescimento aritmético num crescimento geométrico”.
“Portugal é um mercado onde crescemos de forma essencialmente aritmética. Nos Estados Unidos, pela sua dimensão, acreditamos que temos condições para crescer geometricamente. É essa mudança de escala que torna este mercado tão importante para nós”, explica a diretora de ‘marketing’.
Embora salientando que as lojas no estrangeiro “são, acima de tudo, uma questão de posicionamento e não de peso na faturação global”, a O Valor do Tempo ressalva que, “naturalmente, o negócio tem de ser economicamente viável e, nesta fase, as operações em Nova Iorque já cumprem esse primeiro objetivo de autossuficiência”.
Isto apesar de “estarem numa das localizações mais exigentes do mundo, nomeadamente no que respeita ao custo das rendas”.
Alcançada a autossuficiência, o grupo diz começar agora “verdadeiramente a oportunidade”, assumindo que “a ambição é outra”: “Afirmar marcas e produtos portugueses com a dignidade e o valor com que sempre deveriam ter sido olhados, sabendo apresentá-los ao mundo com a elevação necessária para lhes dar o lugar que merecem”.
“Queremos demonstrar que aquilo que é português pode ocupar os melhores lugares, nas cidades mais exigentes e competitivas do mundo, não apesar de ser português, mas precisamente por o ser”, salienta.
Entre as várias marcas da O Valor do Tempo, o destaque vai para O Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa, desde logo pelo número de lojas que representa, seguindo-se a Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau, o Museu da Cerveja e A Brasileira do Chiado, e, depois, as restantes marcas.
O grupo garante que continuará a apostar nas suas várias insígnias, mas ressalva que sua “medida de sucesso não é uma ambição desmedida de faturação”, mas sim “conseguir fazê-las crescer sem lhes retirar identidade, relevância ou posicionamento”.
Detentor de 15 marcas e meia centena de lojas em quase dezena e meia de cidades, o grupo investiu 18 milhões de euros no ano passado na recuperação de um conjunto de edifícios na rua das Flores, no Porto, que transformou num quarteirão cultural onde se propõe “dar palco aos artesãos, às suas mãos e aquilo que criam”.
Ali estão representadas todas as artes tradicionais portuguesas atualmente certificadas e é desenvolvida uma agenda cultural semanal de eventos, exposições, demonstrações ou conversas, focados em “dar visibilidade aos artesãos e às suas artes e aproximá-los do público”.
Para além das artes certificadas, ali coexistem também outros ofícios e técnicas artesanais transmitidos ao longo de gerações que O Valor do Tempo quer valorizar e dar continuidade através do conceito “Filhos do Ofício”, dedicado a uma nova geração de criadores que “parte da tradição para a reinventar, introduzindo inovação e contemporaneidade sem perder a sua matriz”.
“O projeto da rua das Flores é o de uma incubadora de continuidade das artes e dos ofícios portugueses. Naturalmente, funciona também como montra e plataforma de divulgação para pequenas empresas e projetos que vivem destes saberes, mas a nossa ambição é maior: criar condições para que aquilo que recebemos das gerações anteriores possa chegar às gerações seguintes, não sobrevivendo, mas conquistando o reconhecimento que merece enquanto património raro, diferenciador e de extraordinário valor”, indica.
O objetivo, sublinha Sónia Santiago, é garantir “que estes ofícios tenham futuro e que esse futuro seja tão valorizado quanto a história que transportam”.
Tendo como pano de fundo “uma fortíssima consciência da identidade portuguesa” e “um enorme respeito pelo legado” que carrega, o grupo O Valor do Tempo foca-se na promoção da cultura, história, património e tradições portuguesas, mas defende que preservar não significa “ficar parado”.
“Há uma inquietação permanente e, sobretudo, uma enorme crença naquilo que fazemos. Porque chegar a Times Square não é apenas uma questão de dinheiro. Qualquer pessoa com capacidade financeira pode abrir uma loja em Times Square. A questão é ter a coragem de acreditar que uma marca portuguesa pode ocupar aquele lugar e ousar levá-la para onde muito poucos imaginariam que uma marca portuguesa pudesse chegar”, resume.

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