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DBRS diz que IA já gera ganhos de produtividade nos grandes bancos europeus

DBRS diz que IA já gera ganhos de produtividade nos grandes bancos europeus

A adoção de inteligência artificial (IA) pelos grandes bancos europeus entrou numa fase de industrialização, com as instituições a expandirem a utilização da tecnologia para áreas como deteção de fraude, desenvolvimento de software, concessão de crédito e atendimento ao cliente, segundo uma análise da Morningstar DBRS publicada esta segunda-feira 21 de setembro.
Os bancos começam agora a reportar ganhos mensuráveis, incluindo ciclos mais curtos de desenvolvimento de software, redução dos custos de atendimento, maior automatização e decisões mais rápidas. A DBRS salienta, no entanto, que é difícil isolar os ganhos diretamente atribuíveis à IA, uma vez que estes estão frequentemente integrados em programas mais amplos de transformação tecnológica e operacional.
Entre os exemplos citados pela agência, a UniCredit estima poupanças de 400 a 500 milhões de euros associadas à IA, enquanto o Lloyds Banking Group reportou 50 milhões de euros de valor em 2025 e prevê mais de 100 milhões em 2026. O Commerzbank comprometeu 600 milhões de euros em IA até 2030 e aponta para uma libertação de produtividade de 10%. O Crédit Agricole anunciou um compromisso de 500 milhões de euros.
A agência de notação, que analisou as divulgações do primeiro e segundo trimestres de 2026 de grandes bancos do Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha e Países Baixos, conclui que a IA se tornou uma prioridade estratégica para praticamente todas as grandes instituições financeiras, embora o nível de adoção varie entre bancos.
A DBRS considera que o impacto da IA no emprego deverá ser gradual, em vez de resultar numa vaga de despedimentos. A redução do número de trabalhadores deverá ocorrer sobretudo através de saídas naturais, menor contratação e reafetação de trabalhadores.
No caso do Intesa Sanpaolo, a combinação de IA, automatização, migração para a cloud e reorganização operacional está associada a cerca de 12.400 saídas, 6.300 contratações e a requalificação de 10.000 trabalhadores.
O desenvolvimento de software é uma das áreas onde os ganhos são mais visíveis, com as instituições analisadas a reportarem melhorias de eficiência entre 15% e 50%. No HSBC, cerca de 20.000 programadores utilizam assistentes de IA, com uma melhoria de aproximadamente 15% na eficiência de programação. No BBVA, a IA reduziu em cerca de 50% o tempo necessário para programar uma nova plataforma de pagamentos, enquanto no Deutsche Bank projetos tecnológicos que anteriormente demoravam dois anos podem agora ser concluídos em três a seis meses.
A tecnologia está igualmente a ser utilizada na deteção de fraude e no combate ao branqueamento de capitais. O HSBC tem mais de 600 casos de utilização de IA em produção, enquanto a BPCE utiliza IA em cerca de 11 mil milhões de transações por ano para deteção preditiva de fraude.
No atendimento ao cliente, o Intesa gere anualmente cerca de 18 milhões de contactos, dos quais quatro a cinco milhões já são tratados por agentes virtuais. O banco pretende elevar a taxa de resolução automatizada para mais de 80% até 2029. No Commerzbank, o assistente Ava responde a mais de 30 mil pedidos mensais, com mais de 75% dos casos resolvidos sem intervenção humana.
A IA começa ainda a ser utilizada para aumentar as receitas. Na UniCredit, a plataforma DealSync identificou cerca de 500 oportunidades de fusões e aquisições e tem como objetivo gerar cerca de 1,4 mil milhões de euros de receitas adicionais até 2027 sem aumento do número de trabalhadores.
Apesar da expansão, a DBRS alerta para os riscos associados a sistemas de IA mais autónomos. Os chamados agentes de IA podem executar tarefas, coordenar processos e tomar decisões operacionais com intervenção humana limitada, aumentando os riscos de erros, falta de transparência e problemas de responsabilização.
A capacidade dos bancos para demonstrar mecanismos robustos de governação, transparência e controlo de risco será, por isso, determinante para a adoção destes sistemas em larga escala, defende a agência.

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