Portugal: Habitação de luxo entra numa nova fase de crescimento marcada pela diversificação geográfica
O relatório ‘O Mercado da Habitação de Luxo em Portugal’, elaborado pela seguradora Hiscox, revela que o mercado residencial em território português está a entrar numa nova fase de crescimento, marcada “não apenas” pela valorização dos principais destinos, mas “sobretudo” pela diversificação geográfica da procura e da oferta de imóveis de elevado valor.
“Se Lisboa e o Algarve continuam a ocupar uma posição central no mapa do imobiliário premium, destinos como a Comporta, Madeira, Porto, Vila Nova de Gaia ou Grândola estão a ganhar protagonismo e a atrair cada vez mais compradores nacionais e internacionais”, salienta o documento.
No primeiro trimestre de 2026, Albufeira registou uma valorização de 16%, Lagos de 13,5% e Loulé e Tavira de 11,1%. No Norte, Porto e Vila Nova de Gaia registaram crescimentos de 10,5% e 14,3%, respetivamente. Já na Madeira, o Funchal valorizou 16,9% e a Calheta 16,7%, num contexto em que as vendas de imóveis de luxo na região terão aumentado 75% em 2025. “O fenómeno estende-se também a territórios que, até há pouco tempo, tinham uma presença mais discreta no segmento de luxo. Grândola registou uma valorização anual de 27,5%, enquanto Almada cresceu 24,7%. Em Grândola, o preço médio das propriedades de luxo atingiu 2,7 milhões de euros em 2025. Quinta do Lago, Tróia, Soltroia e São Gonçalo são outros exemplos de localizações onde já existem ativos avaliados em vários milhões de euros, demonstrando que o imobiliário premium português está a ultrapassar o tradicional eixo Lisboa-Algarve”, salienta a seguradora.
Um dos principais motores do segmento de luxo, salienta o estudo, reside na crescente internacionalização da procura.
“No Algarve, os compradores estrangeiros representam mais de 30% das transações residenciais e mais de 80% nas localizações prime luxury, confirmando a região como um dos principais destinos europeus para quem procura uma segunda residência ou um ativo imobiliário de elevado valor”, salienta. “O comprador atual é mais internacional, móvel, informado e exigente, procurando não apenas localização e dimensão, mas também privacidade, sustentabilidade, eficiência energética, tecnologia e flexibilidade de utilização. As propriedades de elevado valor são, cada vez mais, simultaneamente residência, investimento e património a preservar para as gerações futuras”, acrescenta.
A diversidade geográfica traz também diferentes formas de viver o luxo. “No Algarve, prevalece a lógica da segunda residência internacional e do lifestyle associado ao clima e à proximidade do mar; na Comporta, a procura está particularmente ligada à natureza, privacidade e baixa densidade; no Porto, o património, a autenticidade e a identidade urbana ganham relevância; e na Madeira, o clima, a paisagem e a qualidade de vida tornam-se fatores diferenciadores”, descreve.
Lisboa surge no centro do mercado residencial premium português. Em Lisboa verificou-se um crescimento de 6% nos valores prime em 2024. A cidade aparece entre os cinco mercados com maior potencial de valorização em 2026, com uma previsão de crescimento entre 4% e 6%. “Ao mesmo tempo, o preço médio prime de Lisboa mantém-se cerca de 25% abaixo de Paris ou Londres e 45% abaixo de Nova Iorque, contribuindo para a sua atratividade junto de investidores internacionais”, assinala.
“A pressão da procura faz-se sentir também nos municípios e zonas premium da região. No primeiro trimestre de 2026, Cascais atingia os 7.168 euros/m², com uma valorização anual de 13,0%, enquanto Sintra alcançava os 4.733 euros/m², crescendo 14,9% no mesmo período, acima dos 4,9% registados em Lisboa. Nos segmentos mais exclusivos, os valores são ainda mais expressivos: Quinta da Marinha atingia 11.293 euros/m² e a Avenida da Liberdade 9.964 euros/m², reforçando a existência de diferentes submercados dentro do próprio universo do luxo”, elenca.
“Lisboa concentra um comprador global, urbano e mais jovem; Cascais e Estoril atraem sobretudo famílias internacionais e patrimónios mais maduros; enquanto Sintra acrescenta ao segmento premium fatores como exclusividade, natureza e propriedades de características singulares”, sublinhou.
O relatório diz ainda que a diversificação do mercado residencial de luxo representa também uma “maior complexidade” na gestão e proteção deste tipo de património. “Uma residência sazonal gerida à distância, uma propriedade costeira, uma casa inserida numa zona natural, um edifício histórico ou um imóvel localizado num contexto insular apresentam necessidades de prevenção, avaliação, reparação e assistência muito diferentes”, descreve. A isto junta-se também uma crescente sofisticação das próprias propriedades. “Materiais e equipamentos premium, sistemas de domótica, soluções tecnológicas, obras de arte, joias e outros bens de elevado valor fazem parte de um património cada vez mais complexo, enquanto a utilização sazonal ou multigeracional acrescenta novas dimensões ao perfil de risco”, refere.
“O mercado de luxo em Portugal está a mudar e, com ele, também está a mudar aquilo que entendemos por património de elevado valor. Hoje, uma casa de luxo é muito mais do que um imóvel: é simultaneamente um espaço de vida, um investimento, um legado familiar e, muitas vezes, um reflexo de um estilo de vida internacional. Esta transformação exige uma abordagem igualmente personalizada à sua proteção, porque não existe uma única forma de proteger uma casa de elevado valor”, disse a diretora da divisão de Arte e Clientes Privados da Hiscox Ibéria, Eva Peribáñez.
A Hiscox acrescenta que a localização, a arquitetura, a utilização e o grau de personalização de cada propriedade “determinam um perfil de risco específico, tornando essencial uma abordagem adaptada às características de cada cliente e do seu património”.
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