Bolsas europeias recuam com petróleo e juros em alta. PSI destoa e fecha a subir com ajuda da Galp
As bolsas europeias encerraram em baixa esta quinta-feira, pressionadas pela subida dos preços do petróleo e das taxas de juro das obrigações soberanas, num dia marcado pelo encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, em Washington. Lisboa destoou do movimento continental.
O índice PSI fechou a subir 0,54% para 9.684,67 pontos, após ganhar 52,23 pontos.
A grande maioria das cotadas do índice nacional terminou em alta, liderada pela Galp Energia, que subiu 3,25% para 23,18 euros, ajudada pela subida do Brent e pela recomendação da RBC Capital Markets que subiu o preço-alvo de 22 euros para 25 euros por ação.
Seguiu-se pela Teixeira Duarte, a valorizar 2,69% para 0,4965 euros, e a Mota-Engil, com ganho de 2,47% para 5,390 euros.
Do lado das perdas, a EDP Renováveis recuou 0,69% para 12,90 euros, a Jerónimo Martins caiu 0,67% para 17,85 euros e a The Navigator cedeu 0,43% para 3,254 euros. Também fecharam em queda os CTT Correios de Portugal, com menos 0,16% para 6,30 euros, enquanto a Altri terminou inalterada nos 4,740 euros.
Na Europa, o índice Euro STOXX 50 recuou 0,43% para 6.272,50 pontos e o STOXX 600 caiu 0,55% para 636 pontos. Em Londres, o FTSE 100 desceu 0,24% para 10.679,99 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,52% para 8.081,43 pontos. Em Frankfurt, o DAX recuou 0,57% para 25.266,53 pontos. Em Milão, o FTSE MIB caiu 0,85% para 51.543,45 pontos. Em Madrid, o IBEX 35 desceu 0,30% para 19.573,40 pontos.
No mercado de matérias-primas, o petróleo disparou. O crude WTI subiu 4,76% para 96,55 dólares e o Brent do Mar do Norte avançou 4,74% para 107,97 dólares. A subida surge após o Irão ter afirmado que permanece aberto à diplomacia para pôr fim à guerra com os Estados Unidos, mas com as duas partes ainda distantes num acordo, e depois de o Presidente iraniano ter avisado que Teerão nunca se renderá ao que classificou como intimidação de Washington, além do anúncio por Trump de uma proibição de exportação de diesel.
O setor energético foi o único em alta no STOXX 600, com ganho de 1,1% para 186,2 pontos, enquanto o tecnológico foi o mais castigado, com queda de 1,6% para 1.004,2 pontos, acompanhado por Viagens e Lazer, também com menos 1,6% para 270,4 pontos, Recreação e Automóvel, ambos com perdas de 1,6%.
O comentário de fecho do Millennium investment banking, sob o título “Fecho Europa: Petróleo e juros sobem, bolsas recuam, PSI escapa”, resume o dia ao indicar que as bolsas europeias encerraram globalmente em baixa, castigadas pela subida dos preços do petróleo, que vem agravar os receios de que desta forma seja mais difícil ao BCE e à Fed fazerem descer a inflação para a meta dos 2% ao ano, o que os pode tornar mais agressivos em movimentos de subida de taxas de juro.
Como reflexo, a taxa de juro das obrigações de dívida americana a 10 anos ultrapassa os 5% pela primeira vez desde 2007 e as da dívida alemã atingem os 3,6%, o patamar mais alto desde 2009.
O setor Tecnológico foi o mais castigado pelo contexto, enquanto o Energético está do lado oposto. O PSI escapou, com a grande maioria das cotadas do índice nacional em alta. A Galp liderou os ganhos, seguida pelas construtoras Teixeira Duarte e Mota-Engil, segundo os analistas.
Nas obrigações, as yields voltaram a subir. As Bunds alemãs a 10 anos têm os juros nos 3,60%, com subida diária de 4,46 pontos base e de 34,64 pontos base no último mês, naquele que é o patamar mais alto desde 2009.
Em Portugal, a yield a 10 anos segue nos 3,99%, com subida de 4,5 pontos base no dia, enquanto Itália rende 4,55% com mais 4,8 pontos base, Espanha 4,09% com mais 4,5 pontos base e os Estados Unidos 5,16% com mais 4,18 pontos base, ultrapassando os 5% pela primeira vez desde 2007. No Reino Unido, o Gilt a 10 anos rende 5,38%, com mais 3,45 pontos base. O ouro recuou 0,67% para 4.289,50 dólares.
O contexto macroeconómico manteve a pressão sobre os ativos de risco. Os indicadores PMI de setembro publicados na véspera reforçaram as expectativas de taxas mais altas nas principais economias, enquanto o índice Ifo de sentimento empresarial alemão melhorou em setembro apesar das preocupações com preços.
No plano geopolítico, o grande evento do dia é o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Washington nesta quinta-feira, 24 de setembro. Segundo a Reuters, Trump disse que discutirá inteligência artificial com Xi, mas acrescentou “quero deixar isso exatamente como está”. A visita ocorre após o encontro entre os dois líderes durante a viagem de Trump à China em maio, quando Trump convidou o líder chinês para visitar a Casa Branca. Será a segunda reunião presencial entre os dois em 2026 e a primeira visita de Xi à Casa Branca em cerca de uma década, já que Xi esteve nos Estados Unidos em 2023 para a cimeira da APEC em São Francisco.
Na agenda estão comércio, redução de tarifas, inteligência artificial e Taiwan, com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, a pavimentar o terreno. O programa inclui um jantar de Estado que reúne executivos de tecnologia como Jensen Huang, da Nvidia, e Sam Altman, da OpenAI, e especialistas dos dois países propuseram na semana passada ações de segurança para a IA semelhantes às do setor nuclear antes das negociações governamentais.
Share this content:
Publicar comentário