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A crise

O preço do litro de gasóleo simples subiu 38,8% desde o início da guerra entre os Estados Unidos (e Israel) e o Irão (e os seus proxys). Chegou aos 2,21 euros. Nunca tinha custado tanto. E o preço do litro da gasolina aumentou 25,8%. Na bomba, no posto de abastecimento. Em seis meses. É tremendo e impacta toda a atividade económica, toda a vida de cada um de nós. Um empresário dizia-me esta semana que teve de colocar em teletrabalho todos os empregados que podia. Tem a sede fora de um grande centro urbano, Lisboa, num dos concelhos limítrofes, e o carro é um elemento indispensável para garantir a mobilidade. De repente, os trabalhadores foram confrontados com uma nova renda, inesperada, e foi preciso tomar medidas para mitigar o esforço. Há mais empresas na mesma situação, claro.
O problema é que o preço do litro de combustível na bomba é apenas a parte mais visível do problema. Os custos da guerra no Médio Oriente – e na Ucrânia, onde a Rússia mantém um conflito de grande escala há quatro anos e meio –, como um vírus, espalham-se. Combustíveis, claro, que se tornaram alvos e reféns. Os transportes sobem de preço, as viagens estão mais caras, e tudo o que é transportado também. Os transportes marítimos mais ainda, que têm de ultrapassar bloqueios. A indústria intensiva em energia, que o gás quase triplicou de preço. Química, vidro, cerâmica, cimento, metais, pasta e papel. A indústria agroalimentar, que ainda suporta o aumento dos preços dos fertilizantes de que o Médio Oriente é produtor.
O resultado final é inflação. Persistente, que mesmo que tudo se resolvesse hoje levaria meses até os mercados normalizarem. O aumento dos preços será combatido com o aumento das taxas de juro. Já está a ser assim. Apertar o crédito é a ferramenta para limitar a escalada. Quanto tempo até começarmos a olhar para a próxima crise?

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